Balanço da passagem de ano
Antes de mais nada: feliz ano novo para todos que me honram com sua leitura. Iniciando o balanço sobre o que ocorreu no trânsito nesta virada de ano, vamos começar pelo seu maior evento: o espetáculo de fogos e de música em Copacabana. O esquema especial de trânsito, implantado pelo competente engenheiro de tráfego, Cimar Garcia, há mais de vinte anos, foi, pela primeira vez, modificado este ano, com o bloqueio total de tráfego a todo o bairro.
Estivemos lá, minha mulher e eu, na véspera, domingo, dia 30, a fim de comparecer a um almoço, no restaurante Cypriani, do Hotel Copacabana, atendendo a um gentil convite do casal Alexandre Garcia, ele, meu prezado amigo. Foi um verdadeiro suplício encontrar estacionamento e circular pelo bairro. Só consegui vaga, graças à boa vontade de um funcionário de um outrora estacionamento rotativo, hoje privativo de um apart-hotel, que me conhecia, como antigo contumaz usuário, e autorizou o meu ingresso. Fiquei a imaginar o que ocorreria, no dia seguinte, sem a proibição do tráfego. A CET-Rio cumpriu o bê-á-bá da engenharia de tráfego: “Onde o tráfego não anda, deve ser retirado e liberado ao pedestre, cuja velocidade será muito maior que a dos veículos”. As queixas esporádicas sobre as distâncias dos pontos de embarque, nas conduções disponíveis, fartamente informados, fazem parte do espírito crítico do carioca.
Mais triste, foram os dois acidentes, com vítimas, sendo uma fatal, ocorridos, um no Viaduto Pedro Álvares Cabral, com um coletivo que tombou ao fazer a curva suave por estar trafegando com velocidade acima da recomendável para a situação que se apresentava. Foram 45 feridos. Seria plenamente evitável, estivesse sendo cumprida minha Ordem de Serviço, de 1975, creio ainda em vigor, que tornava obrigatório o lacre da bomba injetora Bosch, de seus motores, limitando a velocidade máxima em 60 km/h.
Quanto ao outro acidente, ocorrido com um carro de passeio, que saiu da pista da Avenida Brasil, na altura de Deodoro, e rolou a pequena ribanceira existente à margem da pista. Dois feridos, um grave, e um morto, foi o trágico balanço. Plenamente evitável houvesse, marginando a pista instalada, a defensa metálica (guard rail), equipamento de segurança obrigatório, para pista com velocidade máxima permitida de 80 km ou mais.
Quanto aos abusos de os veículos de passeio trafegarem pelos acostamentos, nas estradas congestionadas, a culpa é da existência do acostamento contínuo, já eliminada nas autoestradas da Europa, há mais de 20 anos.
Para finalizar, a pergunta para reflexão do leitor: a quem responsabilizar pelos acidentes e imprudências ocorridas? O motorista, sem dúvida, mas também com a contribuição da autoridade responsável omissa?
* Celso Franco, oficial de Marinha reformado (comandante), foi diretor de Trânsito do antigo estado da Guanabara e presidente da CET-Rio. - acfranco@globo.com
