Jornal do Brasil

Quinta-feira, 11 de Abril de 2013

Trânsito

O primeiro passo

Jornal do BrasilCelso Franco*

É bem conhecido o provérbio: Uma caminhada, por mais longa que seja, começa com o primeiro passo.

Pois bem, o primeiro passo foi dado na última quarta feira, quando, atendendo ao gentil convite da arquiteta Claudia Baptista, chefe da Gerência  de Informações de Tráfego da CET-Rio, compareci à sua sede para cooperar e trocar ideias com os competentes membros da entidade no sentido de levar a minha experiência e pioneirismo ao levantar os dados de acidentes no trânsito do Rio de Janeiro. Pioneirismo, por haver publicado, em 1970, o primeiro livreto onde, com uma análise profunda e enorme sacrifício de uma equipe capitaneada pelo engenheiro Antônio Vilardo, se registravam todos os dados referentes aos acidentes ocorridos naquele ano Era fruto de meu estágio no Departamento de Trânsito de Nova York, no ano anterior, quando tomara conhecimento de idêntica publicação intitulada Accidents facts. Motivou este reencontro com a CET-Rio a minha presença nas comemorações na Semana do Trânsito e, certamente, as minhas observações elogiosas sobre o trabalho daquela gerência, fundamental, para se combater o descalabro do acidente de trânsito.

Ao entrar no prédio da CET, fui cumprimentado por um engenheiro, de meia idade, que me perguntou: “O senhor está prestando consultoria à CET?”. Respondi-lhe que não, embora gostasse, uma vez que jamais pude prestar este serviço á minha cidade. Estou apenas trazendo a minha vivência como cooperação numa obra que salva vidas.

Tive oportunidade de rever, com mais detalhes, o excelente serviço de levantamento de dados, agora, com a facilidade da informática, que não tínhamos em 1970, tornando a me impressionar com os dados que vi. Lamentei apenas que faltassem os dados para as  estatísticas, oriundos do excelente atendimento prestado pelo Corpo de Bombeiros, que se nega a fazê-lo não sei porquê.  Seria da maior importância que botassem os motivos de lado e passassem a fazê-lo.

Da conversa que tivemos, ficou a decisão, por consenso, de que o ambicioso programa de levantamento de dados e de divulgação dos mesmos não deveria ser bancado pela prefeitura mas por empresas interessadas no assunto, como companhias de seguro, distribuidoras de petróleo, prestadoras de serviço de seguro saúde, montadoras de automóveis, empresários de transporte, etc.

A divulgação é fundamental, afinal como dizia o legendário diretor de Trânsito de Nova York, Henry Barnes: “Trânsito é povo em movimento. São as pessoas que criam a conjuntura chamada trânsito, provocada pelos deslocamentos, chamados de tráfego”.

Desta primeira reunião, primeiro passo, de uma longa estrada a percorrer, resultou na decisão, por aceitarem a minha sugestão de, a exemplo do que lhes mostrei que aprendera na Suíça, em 1968, dever-se-ia marcar no piso das vias o tipo de acidentes que ali  ocorreram. Será uma simbologia simples a ser divulgada amplamente dos três tipos de acidentes, a saber: com mortos, com feridos e somente  com danos materiais A aplicação destes símbolos será feita com material plástico refletorizado, e eles se constituirão de duas setas convergindo sobre os diferentes símbolos dos três tipos possíveis de acidentes.

Esperamos começar, uma vez que será pelas vias onde eles mais ocorrem, pela Avenida das Américas, chamada por alguns de Avenida da Morte.

Só me resta, ao encerrar este artigo, transcrever aqui um velho provérbio irlandês de bom augúrio: May the road rise whit you, and the wind be always at your back”.(Possa a caminhada crescer com você,  e o vento sopre sempre nas suas costas).

São os meus sinceros votos. 

* Celso Franco, oficial de Marinha reformado (comandante), foi diretor de Trânsito do antigo estado da Guanabara e presidente da CET-Rio. - acfranco@globo.com

Tags: Celso, coluna, franco, JB, passo, Trânsito

Compartilhe:

Tweet

Postar um comentário

Faça login ou assine para comentar.