Jornal do Brasil

Quinta-feira, 11 de Abril de 2013

Trânsito

Caos urbano vira rotina diária

Jornal do BrasilCelso Franco*

A revista O Globo -Amanhã da semana que passou, com a legenda título deste artigo, acrescida com a observação lógica “do cidadão”, publica impressionante foto em suas páginas 3 e 4 de um congestionamento, exclusivo de ônibus, numa eloquente demonstração de quão errada andou a política de transportes nesta cidade nas últimas décadas. Só agora, corajosamente, enfrentando o poderoso loby dos empresários de ônibus, o governo reeleito de Eduardo Paes tenta racionalizar o seu uso, inclusive priorizando a sua circulação em faixas exclusivas. Esperamos que possa reduzir a superposição de linhas, já iniciada mas de “parto” muito difícil e doloroso. É evidente que a foto publicada não é atual.

Ainda, na sua página dedicada à Economia verde, com o título Carros, carros, carros, escreve a seguinte tolice: “Valorização do transporte individual dificulta a implantação de uma política de mobilidade urbana”. Critica o governo federal na medida em que valoriza o transporte público e o não motorizado e, ao mesmo tempo, toma medidas de incentivo à produção de carros. Ora, estou “rouco” de dizer, por escrito, que a indústria automobilística é o carro-chefe da economia nacional, não só como geradora de divisas como de empregos, só superada pela indústria da construção civil, neste último quesito. Qualquer estudante de economia sabe disto. Felizmente, na citação das recomendações do governo incluiu, o articulista, a frase: “Fala em restrição de poluentes e até prevê medidas de restrição ao uso de automóveis”.

Aleluia! Faz tempo que bato na tecla da restrição inteligente do transporte individual nas horas de pico, com o sistema URV, capaz de reduzir o fluxo de carros de passeio  entre 50 e 80%, gerando recursos para subsidiar as tarifas do transporte público, eliminando os congestionamentos e, por conseguinte, diminuindo, de muito, a poluição de gases emitidos no imobilismo urbano dos congestionamentos, ou no caos urbano, como escreve a revista. Sempre digo, aos meus amigos que advogam a implantação do URV, que ele virá a ser implantado através o clamor público, a única força capaz de vencer a covardia política dos governantes, em contrariar e taxar os mais poderosos, embora em benefício de toda a maioria.

Estamos, no ano vindouro, no início dos mandatos municipais. Teremos tempo de sobra para tentar, mais uma vez, convencer os senhores prefeitos de testar o URV, ou o pedágio inteligente, que o nosso complexo de vira-latas faz com que me perguntem onde eu vi isto. Faziam-me a mesma pergunta, quando de minha gestão no Detran-GB e criei o ônibus  “Detran sobre rodas”, no qual o contribuinte renovava a sua carteira de habilitação, confortavelmente, fora dos horários comerciais, durante a noite. Entrava pela porta traseira de CNH velha e saía pela porta da frente com a nova.

Não espero que seja lembrado por Brasília para expor ao Contran ou Denatran este audacioso plano tipicamente brasileiro para brasileiros, coerente com a recomendação do Manual de engenharia de tráfego, do Instituto de Engenheiros de Tráfego dos Estados Unidos, quando diz: “Quanto melhor o engenheiro de tráfego conhecer os hábitos dos residentes das cidades onde for exercer o seu trabalho, mais fácil será sua tarefa”.

Infelizmente. Só nos resta a esperança do clamor público. Quem viver verá.

 

* Celso Franco, oficial de Marinha reformado (comandante), foi diretor de Trânsito do antigo estado da Guanabara e presidente da CET-Rio. - acfranco@globo.com

Tags: Celso, coluna, franco, segunda, Trânsito

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