Dúvida semelhante
Os mais velhos se lembram da inesquecível Seleção Brasileira de Futebol que se tornou tricampeã na Copa do México, em 1970.Até hoje, é comentada e, segundo muitos, a melhor que já se formou. Méritos a João Saldanha, que iniciou o trabalho, e a Mário Jorge Lobo Zagalo, que a conduziu na fase final da disputa. Havia, naquela época, a dúvida de quem deveria jogar, se Pelé ou Tostão, completando o ataque. Lembro-me da campanha do saudoso Armando Nogueira, que insistia na tese de que não deveria ser Pelé ou Tostão e, sim, Pelé e Tostão. Graças à inteligência de meu colega de colégio marista, Zagalo, prevaleceu a sugestão do Armando Nogueira, e atuaram juntos os dois fantásticos jogadores, fato que nos ajudou, e muito, a conquistar o título, de tricampeões.
Mas, por que falar de futebol, numa coluna sobre o trânsito?
Sempre fui aficionado por este esporte, tendo atuado como membro do Tribunal de Justiça e diretor de árbitros da Federação Carioca de Futebol, vice–presidente de Futebol do Bangu, membro da mesa redonda Operação Esporte na saudosa TV Tupi e, finalmente, ao assumir o Detran-GB, em 1967, haver declarado que iria fazer o povo discutir o trânsito como o faz em relação ao futebol, o que consegui.
No artigo atual é para fazer uma comparação, que julgo válida, provocada pelo artigo de autoria de Luiz Antônio Lindau, diretor presidente da Embarq Brasil, sob o título A saída é a rede o BRT, em que o articulista faz inteligente análise dos dois meios principais do transporte de massa: o metrô e o BRT. Termina o seu escrito com a observação: “Para termos redes de transporte coletivo de alta qualidade, compatíveis com a nossa realidade financeira, basta tirar o foco da estéril discussão metrô versus BRT e agir”.
Foi esta frase que deu a deixa para enfocar, da maneira que fiz, o problema levantado pelo autor do artigo citado.
Temos que ser coerentes com a nossa realidade financeira, principalmente com a do assalariado que irá utilizar estes tipos de transporte.
Nada impede que atuem juntos, metrô e BRT, como se fez com Pelé e Tostão, e teremos, a longo prazo, a solução ideal, com as duas redes, desde que se elimine o carro conduzindo somente o motorista nas horas de pico, como prevê o sistema URV, e, com o resultado financeiro deste sistema, subsidiar o transporte público, dando ao usuário uma tarifa compatível com o seu salário.
Cabe ao leitor eleger, no transporte público, quem é Pelé e quem é Tostão, porque, como no futebol, juntos é vitória na certa, para satisfação e conforto do povo carioca.
* Celso Franco, oficial de Marinha reformado (comandante), foi diretor de Trânsito do antigo estado da Guanabara e presidente da CET-Rio. - acfranco@globo.com
