Jornal do Brasil

Quinta-feira, 11 de Abril de 2013

Trânsito

Ecos da Rio+20 

Jornal do BrasilCelso Franco* 

Terminou o período de caos no trânsito, por motivo de força maior, graças ao término da Rio+20, realizado no local de mais difícil acesso no trânsito do Rio, o Recreio, demonstrado diariamente aos que dele saem ou para lá se dirigem. Quanto aos resultados deste conclave internacional, seria válido citar Shakespeare, com o titulo de um de seus plays 

— Much ado about nothing — a se repetir o que comentou a maioria dos especialistas nacionais. No entanto, não posso citar Shakespeare dizendo que houve “muito barulho sobre nada”, uma vez que a palavra oficial do governo brasileiro foi que os resultados foram válidos. Mas o meu enfoque não é a conclusão que me animou a escrever este artigo, foi o encontro paralelo ocorrido no Forte de Copacabana, onde 58 prefeitos se comprometeram a diminuir, em suas cidades, os gases geradores do efeito estufa.

Para que consigam o seu objetivo, será necessário equacionar o problema, quantificando e estabelecendo uma hierarquia dos geradores dos gases. Nos tempos em que o trânsito do Rio era administrado em bases científicas, com a troca de informações entre o Clube de Engenharia  e o Instituto dos Arquitetos do Brasil, em ampla cooperação com o diretor-geral do Detran, o que lhe valeu o título de “científico” pelo renomado colunista Ibrahim Sued, já nos preocupávamos com  a poluição urbana quanto ao ar e nível de ruído.

Em relação ao ruído, importamos, da Dinamarca, equipamentos para medir os níveis de ruído, denominados decibelímetros. Estabelecemos, e sugerimos ao Contran, o limite internacional de 68 decibéis, uma vez que o nosso Código de Trânsito era omisso no assunto. Detectamos, nas nossas pesquisas, que os locais de maior ruído eram as esquinas da Rua Figueiredo Magalhães com a Rua Barata Ribeiro e a Avenida Nossa Senhora de Copacabana, graças ao apitar descontrolado dos policiais de trânsito que ali funcionavam. Proibimos o uso deste instrumento inútil e, no embalo, mandamos desligar as buzinas dos ônibus em benefício da segurança e do silêncio. Eles, os coletivos, com suas buzinas, eram verdadeiros líderes na geração do ruído, em procedimento primata de seus condutores. Também conseguimos falir, segundo se queixou a mim o seu proprietário, a empresa paulista Araponga, que fabricava buzinas musicais.

Quanto à poluição do ar, também medida por equipamentos apropriados, o pior local eram os arredores da Avenida Francisco Bicalho.  Ali se localizavam, funcionando, a estação de trens Leopoldina e a usina de asfalto, e ali desembocava a maioria do tráfego oriundo da Avenida Brasil. Não existia a Avenida Perimetral, e o  congestionamento era constante.

Recentemente, tomei conhecimento de que o Rio, em poluição do ar, ocupa o segundo lugar no Brasil, só superado por São Paulo, e, note-se,  temos um pulmão natural por causa do mar. Contribui para esta situação, nada lisonjeira, a geração de monóxido de carbono dos veículos que circulam na nossa malha viária que apresenta, por exemplo, na ligação Barra-Centro, apenas um rendimento  médio de mobilidade, de 15%. Para que os prefeitos possam diminuir, creio eu que o índice prometido foi de 12%, é preciso, ao menos no caso de nossa cidade, o rendimento dessa malha viária. Para fazê-lo, não basta implantar o sistema BRT, com veículos pouco poluidores. É necessário eliminar o veículo que transporta apenas o seu motorista nas horas de pique, o “colesterol ruim”, e incentivar o carro compartilhado entre donos de carro, criando o “colesterol bom”. Para consegui-lo, é preciso coragem política e elevado espírito público.

Conhecedor de minhas limitações, em termos de prestígio, acabo de reacender a minha esperança, que agora divulgo, pois enviei ao maior urbanista do mundo, meu amigo Jaime Lerner, para que pudesse opinar sobre o meu projeto URV, que elimina o “colesterol ruim” e pode reduzir em até 80% o volume de automóveis, ignorado por todas as autoridades do Rio e de São Paulo, a quem consultei. Pois bem, recebi, do urbanista prestigiado internacionalmente e presidente do Instituto Internacional de Arquitetos,  a seguinte opinião pelo telefone: "Adorei!".

Espero que o consagrado urbanista que criou o BRT, adotado em várias cidades, resolva agora também rebocar o URV e possam, o BRT e o URV, levar aos 58 prefeitos um precioso e único remédio para diminuir os males do efeito estufa.

* Celso Franco, oficial de Marinha reformado (comandante), foi diretor de Trânsito do antigo estado da Guanabara é presidenteda CET-Rio - acfranco@globo.com

 

Tags: Artigo, celso franco, JB, MEIO AMBIENTE, Trânsito

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