Um novo semáfoto: o "burríssimo"
Na sua edição do domingo, 8, o jornal “O Globo”, com o título : “Cariocas não gostam de sinal (muito tempo) fechado”, faz uma análise dos tempos de sinal fechado, no, cada vez mais semelhante a São Paulo, no que concerne ao tempo perdido, trânsito do Rio.
Acontece que, o motorista carioca tem razão. Para justificar esta afirmativa, vou lhes contar uma historinha:
Em 1972, recém defenestados do Governo Chagas Freitas, corpo estranho que éramos,
Gerardo Penna Firme e eu, oriundos do governo Negrão de Lima, fomos contratados pela Ericsson do Brasil que, segundo as palavras de seu então presidente, General Juraci Magalhães, “desejava entrar no mercado de controladores de semáforos, pelas nossas mãos”. A nova atividade se justificava, para esta importante empresa de telefonia, uma vez que, empregavam-se nesta atividade, relés iguais aos que os controladores semafóricos usavam. Assumimos esta nova responsabilidade, a qual só deixamos, em 1975, ao sermos reconduzidos ao DETRAN, no governo Faria Lima, escudados nos estudos dos livros: “Theory of traffic flow, coletânea de um simpósio do laboratório de pesquisas da General Motors” realizado em 1961 e “Traffic Control.Theory and instrumentation”, editado em 1965 por Thomas R.Norton. O importante desse detalhadíssimo, livro é a introdução de Henry Barnes, verdadeira ode ao engenheiro de tráfego. Fico lhes devendo esta parte, mas, prometo publicá-la no próximo artigo, pois se trata de uma justa homenagem a uma tão importante especialidade da engenharia.
Estes estudos vieram complementar o que já aprendêramos no capítulo 11, do Traffic Engineering Handbook: “Traffic Signalization”, quando diz lá , a certa altura, quando explica os controladores de tempo fixo: “Geralmente, uma simples troca da de engrenagem permite o ajustamento do ciclo semafórico em 5 segundos, desde o mínimo de 30 segundos ao máximo de 120 segundos”.E, finalmente, ao iniciarmos os nossos trabalhos, nos foi fornecida, da biblioteca da Ericsson, a publicação do Road Research Laboratory, situado nos arredores de Londres, o “Traffic Signals”, Road Research Technical Paper, n.56, publicado em 1966.
Relaciono aqui estes livros, a fim de que aqueles engenheiros de tráfego, a quem cabe fazer as regulagens dos ciclos dos semáforos, através os gráficos de “tempo e espaço”, possam colher “luzes” afim de nunca permitir que um ciclo de luzes verde, amarelo e vermelho, exceda o limite máximo de 120 segundos, que pode receber, no máximo, um acréscimo de 5 segundos.
Na Ericsson, conseguimos instalar a primeira onda verde do Brasil, em Brasília, na W3 e, em São Paulo, quando logo depois de quatro meses de contrato fomos trabalhar, eliminamos os enormes tempos de semáforo, controlados manualmente pelo policial, de até cinco minutos fechado, quando o motorista puxava o ferio de mão e fazia palavras cruzadas, para o civilizado ciclo dos 120 segundos, automatizado.
Na denúncia do jornal referido, encontraram tempo de vermelho de quase 3 minutos, o que é um absurdo para uma cidade como o Rio, em pleno século XXI e, preparando-se para sediar uma Copa do Mundo.
Com o atual tempo de duração dos ciclos, o sinal de tempo fixo, que eu já apelidara de “sinal burro”, o que exibe o vermelho para não passar ninguém na sua transversal, com estes tempos denunciados, tem toda a razão o carioca de reclamar, e os engenheiros que assim os regularam, criaram um “up grade” para o sinal burro, o “burríssimo”.
