Jornal do Brasil

Quinta-feira, 11 de Abril de 2013

Trânsito

A cerca 

Jornal do BrasilCelso Franco 

Enfocada em matéria pelo jornal O Globo na última terça feira, ilustrada com a foto de um pedestre pulando uma cerca, em desespero, foi relatado o que aconteceu: com a implantação de uma cerca, no trecho da travessia de pedestres, na Avenida Presidente Vargas, que se dirigiam para a estação de trens da antiga  Central do Brasil. Providência corretamente determinada, creio eu, pelo secretário municipal de Transportes, foi implantada, de maneira desastrosa, pela CET Rio.

Ao cometer o erro primário de só colocar cerca, para direcionar o fluxo da travessia de pedestres, de um lado só da via, pretendendo, com esta providência diminuir o risco de atropelamentos, tornaram “a emenda pior que o soneto”.Ao fazer esta instalação incompleta, criaram uma armadilha para os pedestres que, ao atravessarem a imensa largura das pistas da dita avenida, desavisados do que os aguardava do outro lado da mesma, ficaram presos, exatamente na pista por onde circulam os coletivos. Foi, realmente, apavorante para os apanhados naquela armadilha.

Está em todos os tratados sobre o assunto que, quando se deseja direcionar, disciplinando, a travessia de pedestres, somente na faixa para que ela se faça, deve-se cercar toda a extensão da travessia, inclusive nos ilhamentos centrais. Aliás, estes ilhamentos, criados em boa hora pela CET-Rio, no governo do prefeito Marcelo Alencar, tornaram-se um abrigo seguro para os pedestres, surpreendidos, durante a travessia, com a mudança do sinal,  de verde para vermelho.

Recomendo a consulta à publicação Traffic calming, in practice, publicada, na Inglaterra, em novembro de 1994 (e que existe aqui, na biblioteca da Coppe). Tenham a humildade de tirar desta obra  os diversos exemplos dos inúmeros “illustrated case  studies”, com excelentes sugestões para a implantação correta das medidas de “Traffic calming”, das quais o Rio é tão carente.

O uso das grades para defender os indisciplinados pedestres do risco de atropelamento é muito comum na cidade de Londres, exatamente em locais onde é grande o número de pedestres. Aliás, era um dos “pontos negros” no que se refere a atropelamentos a travessia, sempre apressada, dos pedestres que na Praça 15 se dirigiam para a estação das barcas. Somente com o advento de um prefeito urbanista, o arquiteto Luiz Paulo Conde, construiu-se ali uma correta passagem subterrânea para o tráfego de veículos, mantendo-se o pedestre, confortavelmente, no mesmo nível em que vinha caminhando.

Prossiga o secretário de Transportes na sua luta para tornar menos violento o trânsito selvagem do Rio, tendo o cuidado de passar à CET o sábio conselho de meu avô Chico Franco, um dos articuladores para a nomeação do vigário de Bangu, cônego Olímpio de Melo, prefeito do Rio: “Deus me proteja de meus amigos, pois que dos meus inimigos cuido eu”. 

* Celso Franco, oficial de Marinha reformado (comandante), foi diretor de Trânsito do antigo estado da Guanabara e presidente da CET-Rio. - acfranco@globo.com

Tags: Celso, cerca, coluna, franco, Trânsito

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