Jornal do Brasil

Quinta-feira, 11 de Abril de 2013

Trânsito

“Forza”, secretário 

Jornal do BrasilCelso Franco 

Esta é uma expressão italiana de incentivo, inspirado na qual o goleiro Zopi, capitão da Azurra, bradava aos seus companheiros, nos momentos finais, daquela fatídica derrota da Seleção Brasileira na Copa de 82, vencida pela Itália.

Pois agora assisto à luta do secretário Sansão para dar mobilidade razoável ao transporte por ônibus, o mais utilizado pelo povão, na implantação do projeto BRS. A dificuldade nas “agulhas” de comunicação entre as pistas do meio e as laterais do importante eixo Avenida Presidente Vargas vêm ameaçando o sucesso.

Vejo com alegria que, apesar do forte lobby dos ônibus, vêm sendo aceitas as reduções da quantidade de coletivos, com o propósito de viabilizar o projeto de mobilidade do, por incrível que pareça, mais importante vetor do nosso transporte público. Não sei, honestamente, se esta dificuldade poderá ser solucionada, sem uma intervenção do semáforo inteligente, atuado pelo próprio tráfego. Ela é válida apenas para a faixa de acesso nas pistas laterais.

Sofri na carne quando, em 1967, tentei eliminar um cruzamento ortogonal, por um retorno, adiante, tipo meia rótula, ali na entrada da Rua Farani, antes da construção do viaduto. A operação se chamou Folha Seca, em homenagem ao genial Didi, com suas cobranças de falta em que a bola subia e depois descia na direção do gol. Assim aconteceria com o tráfego. Passaria pelo ponto de entrada e voltaria após fazer a meia rótula no fim da pista, em fluxo contínuo, trançando com o tráfego oriundo das pistas da Praia do Flamengo, eliminando-se o sinal existente.

Descobri, surpreso, que o motorista brasileiro não sabe trançar no trânsito para ir atingindo o seu destino futuro. Ele tenta trançar pela frente do veículo do lado e não, como seria lógico, por trás dele. A Praça Charles de Gaulle em Paris, aquela imensa rótula onde desembocam treze avenidas, se fosse aqui, viveria engarrafada e cheia de acidentes. Cancelei a operação, reconhecendo erro.

As tabelas das velocidades resultantes constantes do Highway Capacity Manual, em função do volume de tráfego participante do trecho de trançamento, podem, às vezes, indicar zero. É o que está acontecendo nas entradas das agulhas, não em função do volume de tráfego mas, sim, do tamanho dos veículos participantes que buscam a sua inserção na pista lateral e vice versa.

Tomara que tudo se ajuste sem precisar da intervenção do semáforo inteligente cuja atuação, em determinados casos, agiliza mais o fluxo total do que a perda de tempo num trançamento impossível. 

* Celso Franco, oficial de Marinha reformado (comandante), foi diretor de Trânsito do antigo estado da Guanabara e presidente da CET-Rio. - acfranco@globo.com

Tags: brs, Celso, coluna, franco, Trânsito

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