Jornal do Brasil

Quinta-feira, 11 de Abril de 2013

Trânsito

Por favor, tomem uma providência 

Jornal do BrasilCelso Franco 

Na terça-feira da semana passada, como sempre acontece, os noticiários vespertinos das TVs, aos quais sempre assisto, registraram inúmeras tragédias. Desta vez, a pior era uma tremenda colisão entre um carro  e um ônibus, na cidade de São Paulo. Morreram os ocupantes do carro, uma vez que tão violenta foi a colisão que o ônibus chegou a subir sobre o carro.

Como dizia minha mãe: “A morte sempre traz desculpas”. A desta feita foi a de que o semáforo estava desligado. E daí? Sempre existirá uma prioridade de passagem, em qualquer cruzamento, sinalizado ou não. A uma sinalização deficiente somou-se o fato de o nosso motorista estar despreparado para dirigir. Ja cansei de dizer: um motorista mal preparado é como "um primata condicionado", segundo escreveu Demond Morris, psiquiatra britânico, em seu livro O macacão nu. A propósito do acidente registrado, cuja desculpa ou mal ajambrada justificativa foi o semáforo apagado, vamos ver, por exemplo, o que teria acontecido na Alemanha. No caso do semáforo apagado, por qualquer motivo, estaria funcionando, acionado por bateria e automaticamente, o sistema que faria piscar o foco vermelho para uma via secundária e o amarelo para a via principal. No caso de não haver este recurso no cruzamento, estaria no poste do semáforo voltado para a via secundária a placa PARE, definidora da importante e perigosa se não respeitada prioridade ali existente. Dirão vocês: “Mas isto é na Alemanha”. E eu respondo: “Por que não adotar este sistema da placa, aqui? Não custa nada. Mais vale prevenir — ainda mais aqui, onde o serviço elétrico não merece tanta confiança —  do que depois arrumar desculpas.

Vocês sabem que o nosso Código de Trânsito, excelente por sinal,  prevê a placa de alerta “Parada obrigatória à frente”? Mas esta deveria anteceder a placa PARE, a única em vermelho — o que deveria pressupr a colocação de  um redutor de velocidade de qualquer das espécies disponíveis. E a palavra PARE deveria ser pintada no solo, no cruzamento, complementando a placa om os mesmos dizeres.

Também deveria ser utilizada a placa A18, “Saliência ou lombada”, para prevenir a existência deste redutor, antes de todas as sinalizações da placa R2, “Dê a preferência”, principalmente antes dos cruzamentos em círculo.

São pequenos detalhes que salvam vidas e evitam as desculpas esfarrapadas que viriam a seguir.

* Celso Franco, oficial de Marinha reformado (comandante), foi diretor de Trânsito do antigo estado da Guanabara e presidente da CET-Rio. - acfranco@globo.com

Tags: acidente, Celso, franco, onibus, Trânsito

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