Jornal do Brasil

Quinta-feira, 11 de Abril de 2013

Trânsito

Os motociclistas têm razão

Jornal do BrasilCelso Franco

Tomei conhecimento pela mídia escrita de que a Associação dos Motociclistas do Estado do Rio (AMO-RJ), através o seu presidente, vai entrar com uma ação, junto ao MP, contra a utilização dos tachões, para limitar as faixas de rolamento exclusivas para o BRS. Alegam, com toda razão, o risco que este equipamento, previsto no CTB, como balizadores, significa para os seus associados e, eu acresceria, para os pneus dos demais motoristas. Já basta a sua utilização como redutores de velocidade, em algumas vias, em total desacordo com a sua classificação no CTB. Vamos analisar, por partes, o problema, agora denunciado. 

Em primeiro lugar, antes de recorrer ao MP, deveriam procurar o diálogo com o competente secretário municipal de Transportes. Nos poucos contactos que com ele tive, sempre vi nele um homem sensato, livre da empáfia dos donos da verdade.

E, prosseguindo, analisando o emprego das faixas exclusivas, quando as introduzimos, na capital paulista, na gestão do prefeito Miguel Collassouno, na Avenida Paulista, apenas as delimitamos, com a pintura das faixas de sinalização horizontal, utilizando a faixa continua na zona privativa para os coletivos, e tendo o cuidado de torná-las descontínuas, nos trecho onde o ingresso dos demais veículos seria permitido, para as suas conversões à direita. Está assim, até hoje, desde sua implantação em 1974. Países mais adiantados da Europa, como a Inglaterra, Alemanha, Holanda, etc, seguem este sistema. Na Espanha, por razões óbvias, comprovada pelas marcas dos pneus dos veículos que com elas se chocaram ou rasparam, utilizam “guard rails”, as defesas metálicas, inofensivas em provocar quedas ou pneus rasgados. Com a autoridade de quem, quando no exercício da direção do trânsito carioca, solicitou à Honda e instalou uma pista para o teste de habilitação, para os motociclistas, ainda existente junto à Rodrigo de Freitas; e que também liberou, em 1975, uma área no edifício garagem Menezes Côrtes, para o estacionamento de motos, permitam-me, agora, “meter a minha colher”.

Sugiro que sejam introduzidas, nas próximas faixas a serem criadas, até como experiência, um tipo de tacha, inofensiva e com a mesma eficiência, para os fins a que se destinam Tratam-se de tachas em forma de calotas, de 20 cm de diâmetro, com 5 cm de altura, tendo na sua superfície um rasgo de 10 cm por onde sai de sua base e o atravessa uma lingüeta de borracha, de 10 cm de altura, nada mais. Ao serem chocados pela  câmara de ar dos pneus dos veículos que por sobre elas trafeguem, produz um ruído altamente incomodativo e, eficaz em alertar aos motoristas que algo não está correto. Simples e eficiente de maneira civilizada e não provocando nenhum risco aos que trafegam nos locais onde elas existam. Aliás, na Europa, são utilizadas para delimitar as faixas destinadas ao tráfego de motos, evitando a balbúrdia que fazem no nosso trânsito. Já era tempo, também, de que se criasse no Rio, o que meu amigo engenheiro Roberto Scaringella criou, em São Paulo. Os “corredores”, como lá chamam, com um metro de largura, por onde as motos trafegam supostamente protegidas e, evitando as contumazes quebras dos espelhos retrovisores dos carros, quando por elas ultrapassados. 

Fica aqui a minha consultoria gratuita e, se quiserem experimentar as tachas aqui sugeridas, estou à disposição, para esclarecimentos, no meu e-mail.

* Celso Franco, oficial de Marinha reformado (comandante), foi diretor de Trânsito do antigo estado da Guanabara e presidente da CET-Rio. - acfranco@globo.com

Tags: Artigo, Celso, coluna, franco, moto, Trânsito

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