Flashes sobre fatos da semana
Esta semana que passou merece pequenos comentários sobre vários fatos importantes.
Comecemos pelo susto que tiveram os moradores do Leblon pelo esquema de tráfego apresentado para a principal via do bairro, a fim de enfrentar as obras do metrô anunciadas. Era uma obra-prima do absurdo, o impedimento do acesso dos carros dos moradores, pagantes de IPTU e IPVA, às suas garagens. Evidentemente, falta ao consórcio de construtoras, que elaborou o plano, uma consultoria de engenharia de tráfego. No nosso tempo, cabia à engenharia de tráfego, do órgão responsável pela circulação, realizar esta tarefa. Tivemos a responsabilidade de providenciar os planos para o alargamento da Avenida Atlântica e as obras do metrô através dos populosos bairros de Flamengo, Botafogo e Tijuca, sem aporrinhar ninguém. E, de quebra, ainda isolamos o Centro para a imensa obra da estação do Largo da Carioca.
Como gostava de me dizer o atacante argentino Doval, que atuou no Flamengo: “Quem sabe, sabe”. Não foi de graça. Visitei as obras dos Ubahnen das cidades alemãs de Frankfurt, München, Köln e Stutgart, todas realizadas ao mesmo tempo, nos anos de 1968, 69 e 70.Fui lá aprender com quem sabe.
Outro assunto é a implantação dos “corredores de ônibus”, muito bem-vindos, nas avenidas Presidente Antônio Carlos e Rio Branco. Já não era sem tempo. Aproveito para sugerir ao eficiente secretário Sansão que pense em impedir a entrada à esquerda dos ônibus que a fazem na Avenida Almirante Barroso e na Rua Araújo Porto Alegre. Faça-os seguirem em frente e, ao final da Avenida Rio Branco, virarem à esquerda a fim de entrarem pelo início da Avenida Antônio Carlos, tomando a sua faixa exclusiva. Conseguirá mais ordem e agilizará o escoamento da Avenida Antônio Carlos, pela economia nos tempos de sinais dos cruzamentos das vias citadas de entrada à esquerda. Atenção: retire o estacionamento da Avenida Beira-Mar situados no meio deste novo trajeto dos ônibus, que só ocuparão a pista da esquerda da Avenida Rio Branco, no seu último quarteirão. No mais, torço pelo seu sucesso.
O jornal O Globo publicou, em página inteira, uma análise do trânsito carioca com o título Cariocas engarrafados. Quem leu ficou convencido de que somente com a implantação do sistema URV, que elimina ou diminui o “colesterol ruim”, ou seja, o motorista sozinho no seu carro nas horas de pico, criando o “colesterol bom”, ou seja, o transporte solidário entre donos de carro, teremos um alívio em curto prazo. Isto, infelizmente, depende de decisão política do prefeito, não de ação do órgão técnico..
Finalmente, os meus efusivos parabéns pela sinalização luminosa de segurança instalada na Rua Jardim Botânico para identificar o sentido da faixa reversível no horário de funcionamento. A sua não existência era um absurdo. Já havia reclamado esta providência citando o exemplo de importante avenida em Berlim que a possuía desde 1968. É muito bom para um comentarista quando também pode elogiar. E aqui vai uma máxima que serve de estímulo a todo administrador: “Não podemos dispor do êxito, mas devemos fazer tudo para merecê-lo”.
* Celso Franco, oficial de Marinha reformado (comandante), foi diretor de Trânsito do antigo estado da Guanabara e presidente da CET-Rio. - acfranco@globo.com
