Jornal do Brasil

Quinta-feira, 11 de Abril de 2013

Trânsito

Recordando o diretor de Trânsito da década de 40 Menezes Cortes

Jornal do BrasilCelso Franco

Exatamente na última segunda feira, dia em é publicada esta coluna, o Rio amanheceu com uma temperatura do inverno de Porto Alegre. Por força de compromisso de trabalho, acordei cedo a fim estar na sede da Nittrans, órgão que gere o trânsito de Niterói, às 10 horas.

Chovia fino e a saída da Barra, onde resido, sempre difícil, principalmente às segundas feiras, arrastava-se e deu bastante tempo para ler as inteligentes informações da CET-Rio, em painéis eletrônicos, que nos informam os tempos para se alcançar alguns pontos de nosso destino.

A via da orla marítima ganhava da via Praça Sibélius por mais de 20 minutos. Claro que optei pela primeira opção.

Vencido o elevado que nos liga a São Conrado, atingi, entrando à direita, a Avenida Prefeito Ângelo Mendes de Moraes. Ao final dela, quando se deve chegar à Avenida Niemeyer, a bagunça de sempre.

Os espertos da fila mais à esquerda, criando um terceira faixa, que é exclusiva para o retorno ou  para se retomar o fluxo que se destina ao Túnel Zuzu Angel , espremendo os motoristas que, ordeiramente, se destinam nas duas faixas de acesso à Niemeyer. Os espertos fazem isto todos os dias impunemente, certos da ausência da repressão.

Já longe vai o tempo em que o diretor de Trânsito, no caso era eu, se postava exatamente no ponto onde a turma dos golpistas deveria se inserir na faixa dos ordeiros, impedindo que eles assim procedessem e, mandando-os seguir o caminho exclusivo para o destino da faixa em que estão trafegando. Tal atitude era aplaudida pelos motoristas ordeiros, com os seus polegares levantados e um sorriso de aprovação.

Nada melhor para massagear o ego de uma autoridade que, segundo Henry Barnes, famoso Traffic Commissioner de Nova York, por cerca de oito anos, assim definia: “É incompatível a figura do eficaz diretor de Trânsito com a do bom moço”.

Com o mesmo propósito, costumava sobrevoar de helicóptero o caminho de acesso à Barra, pelo Alto da Boa Vista, nos domingos de praia, anotando os que faziam ultrapassagens perigosas e, após pousar no final da estrada, na chegada à Barra, retirá-los do fluxo de tráfego, para uma permanência de meia hora ali, como castigo, e uma conversa “amena”.

Tudo isto que aqui exemplifiquei hoje acontece impunemente e, o que é pior, os motoristas têm certeza disto.

Esta repressão só funciona se exercida pela autoridade máxima, que tem que “dar a cara a tapa” confiante na autoridade e o respeito que o seu desempenho lhe dá junto aos motoristas.

Como dizia o grande diretor de Trânsito do final da década de 40, Geraldo Menezes Cortes: “Não posso evitar as irregularidades fortuitas, mas, tenho o dever de eliminar as que são contumazes”.

Passou para a história e fez escola, para alguns poucos dos que o sucederam, infelizmente.

 

Tags: Celso, franco

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