À noite, todos os gatos são pardos
À noite, todos os gatos são pardos. Este é um velho ditado popular, que se aplica ao perigo a que estamos sujeitos, nós motoristas, ao circularmos, durante a noite, na cidade do Rio. Refiro-me aos locais pouco iluminados, onde as guias de calçada, popularmente chamadas de meio–fio, assim como as muretas divisórias nos túneis, confundem-se com a coloração do asfalto do piso.
Já longe vai o tempo em que se utilizava tinta refletorizada, importada, contendo micro esferas de vidro que, eram jogadas, por controle computadorizado, sobre a tinta recém aplicada no piso.
Davam uma refletorização espetacular, como acontece no continente europeu. Conseguia-se esta tecnologia operando com máquinas de pintura especiais, oriundas da Suíça ou da Alemanha, das marcas Hidrocobra ou Hofman.
A primeira foi importada por nós, do Detran GB, em 1967, e utilizamos o primeiro tipo deste tipo de sinalização, na Rua Jardim Botânico, delimitando as diversas faixas de rolamento. Tornou-se quase uma atração turística. Era a primeira vez, no Brasil, que se utilizava este método. O Rio foi pioneiro. Em seguida o Aterro do Flamengo que, pasmem, não tinha a sua sinalização horizontal.
Procuramos também pintar alguns meios fios, a fim de alertar os motoristas de alguns pontos perigosos, durante a noite. Infelizmente, a nossa eterna escassez de verbas nos impedia de termos estes locais com partículas de vidro, refletoras, ou com iluminação própria, substituindo a pedra da guia de calçada, por setores iluminados, construídos com vidro grosso e aço, como se encontra nas principais cidades da Europa.
Seria pedir demais. No entanto, agora, o que se vê, onde até as muretas divisórias dos túneis também não são destacadas com uma pintura branca. Esta deficiência torna perigosíssimo o ato de se dirigir , durante a noite, na Avenida das Américas, na Barra da Tijuca, por exemplo, onde as saídas da pista central para as pistas laterais são de difícil visão.
Não estou pedindo que utilizem a tinta refletorizada, não a emulsionada, do mesmo tipo que utilizávamos, de maneira eficiente, mas que, ao menos, pintem de branco estes pontos. São fáceis de identificar, uma vez que apresentam marcas escuras provocadas pelas raspagens de pneus dos veículos de motoristas que, surpreendidos com a presença daqueles obstáculos pardos, que como os gatos, são de difícil visão durante a noite, puderam, ainda em tempo, deles desviar.
Se os atuais administradores atenderem a este apelo, inúmeros motoristas que tiveram os pneus de seus carros furados, fruto dos choques contra as guias de calçada, irão agradecer.
Afinal, pagamos IPVA para quê?
