A falta que faz Sérgio Porto
Como leitor inveterado que sou, esta semana que passou, para ler algo ameno, reli a notável obra do saudoso Sérgio Porto, FEBEAPÁ 1,2,3. Esta coletânea, das três publicações, registra todas as besteiras que inundavam o noticiário, na década de 60, a partir de março de 64, quando imperava a censura.
O “Festival de besteiras que assolava o país”, cuja sigla, “for short” como dizem os ingleses, se tornou conhecido como FEBEAPÁ e recebia contribuições dos leitores.A sua leitura é impagável, ainda mais agora, em plena democracia e liberdade de imprensa, que torna as besteiras, de então, inacreditáveis. Como amostragem, e se encaixa como uma luva no Congresso atual, ele só se refere aos deputados federais, que figuram abundantemente no “Festival”, com a abreviatura de Defede. Faz sentido.
Pois bem, observando o que ocorre no trânsito atual, ele teria um prato cheio, a começar por aquele ex-presidente da CET-Rio, que declarou esta joia: “A sinalização orientadora deve ser para quem conhece a cidade”. Brilhante, não?
Ali, na Praça Sibélius, no sentido Barra, logo após o cruzamento com a Avenida Visconde de Albuquerque, naquele primeiro quarteirão está lá, bem visível, a placa de parada proibida, aliás, muito necessária, não fosse a existência logo a uns três metros de uma placa de parada de ônibus. Uma desmoraliza a outra e foi colocada pela mesma “otoridade”.
A explicação do chefe da Guarda Municipal que dirigia a operação de reboques na rua em que resido, onde não existe nenhuma placa de proibido estacionar, de que é proibido estacionar em rua de mão dupla, é outra besteira monumental.
Na mesma semana, em que relia o FEBEAPÁ, li a notícia que criticava o fato de as concessionárias esburacarem as pistas recém-restauradas pela operação “asfalto liso”. Trata-se, sem dúvida, de um fato digno de figurar no “besteirol” compilado no FEBEAPÁ ou, se preferirem, no FEBEATRAN, o Festival de Besteiras que Assola o Trânsito.
No nosso tempo, quando o responsável pelo trânsito fazia valer a sua autoridade, criamos o que se chamou de “Condomínio do buraco”. Consistia numa reunião semanal, onde todas as concessionárias se reuniam, no Detran, sob a presidência do diretor de Engenharia, para planejar os buracos que seriam necessários fazer na semana seguinte. Era comum um buraco atender a mais de uma concessionária, economizando-se tempo e dinheiro. Não refazer o asfalto com perfeição, ou esburacar sem autorização dava multa e, ás vezes, prisão. O Detran era órgão da polícia. Prendia-se o responsável presente no local da obra e o trocávamos pelo comparecimento de um diretor da empresa no Detran, para ser “enquadrado”.
Passamos invictos pelo FEBEAPÁ, do genial Sérgio Porto, já a atual direção da CET-Rio estaria presente e assídua.
