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Quarta-feira, 18 de Julho de 2018 Fundado em 1891
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Ferrolho moderno

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Belo Horizonte - Foi triste ver a Argentina, uma seleção bagunçada, nervosa e com vários jogadores muito fracos. Messi, perdido, passivo, anestesiado, foi engolido, arrastado pela desastrosa atuação da equipe. A Croácia, que tinha jogado mal na vitória sobre a Nigéria, teve boa atuação, especialmente Modric, um craque extremamente técnico, pois escolhe bem e executa as jogadas com enorme eficiência.

Quando você ler esta coluna, provavelmente, já terá ocorrido Brasil e Costa Rica. São grandes as chances de o Brasil jogar bem e vencer. Talvez, a história da partida seja bem diferente de minhas dúvidas e preocupações. O jogo costuma ser mais imprevisível e com mais detalhes técnicos, táticos e emocionais que supõe nosso pretenso conhecimento.

Ao mesmo tempo em que Coutinho no meio-campo fez o time mais criativo e ofensivo, criou uma nova dificuldade. A equipe, por ter um excepcional trio pela esquerda, formado por Coutinho, Marcelo e Neymar, concentra o jogo nesse setor, e o adversário, que não é bobo, congestiona esse lado do campo. Contra a Suíça, William ficou isolado pela direita, pois a bola não chegava e porque Paulinho e Danilo não se destacam pela troca de passes.

Por causa disso, Tite trocou Paulinho por Renato Augusto, um jogador mais habilidoso e criativo, mas quando a partida caminhava para o fim e predominavam a pressão e as jogadas aéreas. Era uma ótima situação para Paulinho, por sua presença na área. Na prática, Paulinho funciona, nessas emergências, como um centroavante, alto e eficiente nas bolas cruzadas, um tipo de jogador que Tite imaginava convocar, como Willian José.

Coutinho tem jogado de uma maneira parecida à de Renato Augusto, nas eliminatórias, de uma intermediária à outra. Coutinho tem muito mais talento, porém o campo fica muito grande para ele, que se cansou no segundo tempo contra a Suíça.

A Costa Rica deverá jogar defensivamente, de uma maneira parecida com Islândia, Austrália, Irã e outras seleções, com nove a dez jogadores próximos à área, distribuídos em um espaço de 20 metros, à espera da possibilidade de um bom contra-ataque.

Esta Copa é a dos gols de pênalti, dos 1 a 0, dos gols contra, dos gols em jogadas aéreas, dos árbitros de vídeo e das retrancas, dos ferrolhos modernos, construídos por megacomputadores, bem diferentes do ferrolho suíço dos anos 1950.



Tags: brasil, copa, rússia, seleção, tostão

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