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Tom Leão

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‘Wild wild country’ vai virar filme!

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Nos últimos tempos, tenho assistido mais a documentários do que a filmes (as produções atuais andam tão repetitivas, redundantes; são continuações, reboots, remakes, uaahh...). A vida real, muitas vezes, é mais fascinante e estranha do que a ficção. Este ano, já vi dois muito bons: um sobre o lutador André, o gigante (HBO) e, outro, sobre a bela e misteriosa atriz Hedy Lamarr (a Dalila, naquele clássico bíblico do Cecil B. de Mille, “Sansão & Dalila”), que nos revela que ela foi também uma cientista amadora e a responsável pela invenção do que conhecemos como wi-fi!

Contudo, um dos documentários mais falados e bizarros do ano ainda é “Wild wild country”, dos irmãos Maclain e Chapman Way, lançado pela Netflix. Demorei a ver por causa do nome. A princípio, achei que tinha alguma coisa a ver com o Velho Oeste americano. Mas os amigos começaram a comentar e decidi assistir ao primeiro. Não consegui parar de ver. Embarquei naquela jornada fim de semana adentro.

São seis capítulos, com cerca de uma hora, cada, que tratam deste tal “país selvagem”, criado pelos Rajneeshs, num pedaço desértico do Oregon (EUA), nos anos 1980. Para mim, Rajneeshs eram aqueles concorrentes dos Hare Krishnas. E, seu líder, Bhagwan Shree Rajneesh (conhecido como Osho), apenas mais um líder espiritual oportunista. Só sabia metade da missa. Sim, Osho era só mais um esperto hindu, colecionador de Rolls-Royce. Mas, o que ele movimentou em torno de si foi inacreditável.

A série documental (indicada a seis Emmy) mostra que, para construir o tal país dentro de outro país (na verdade, uma cidade utópica), eles não mediram esforços: acuaram os habitantes da cidadezinha de Dalles, criaram suas próprias leis, sua polícia e acabaram tornando a “Osholândia” num lugar tão ou mais corrupto quanto qualquer país do mundo real, do qual tentavam ser uma alternativa.

Um dos documentários mais falados e bizarros do ano ainda é “Wild wild country”, dos irmãos Maclain e Chapman Way, lançado pela Netflix

Mas a chave da série (que poderia cansar, se ficasse só no lado religioso) é a incrível Ma Anand Sheela. Ela foi uma espécie de braço direito/amante de Osho, que tomou o controle da cidade e fez coisas inomináveis para mantê-lo. Foi a partir de conversas com Sheela, que hoje vive na Suíça, que tudo se desenrolou. Antes de sumir, Sheela ficou 24 meses numa prisão federal nos EUA, depois de ter sido condenada, em 1984, por tentativa de assassinato de 700 pessoas (contaminou com salmonela um buffet de saladas, e deixou grande parte da população de Dalles doente; tudo, para os Rajneeshs ganharem as eleições!).  Sheela é a alma da série: inteligente, astuta, má, manipuladora, sensual, tudo junto. Os produtores levaram quatro anos rastreando-a, até encontrá-la e convencerem-na a falar.

Com o sucesso da série, os diretores, junto aos produtores (os irmãos Jay e Mark Duplass), planejam um filme para cinema, anunciado esta semana. E já delinearam o elenco: para o papel de Osho, pensam em Keegan Michael-Key (de “Keanu: cadê meu gato?”) e, para o de Sheela, Mindy Kaling (“The office”), ambos racialmente corretos para os papeis e com os tipos físicos adequados. E, ambos, também, vindos do mundo da comédia. Porque, para encarar essa doideira, só rindo.

Rugidos

Falando em Hedy Lamarr, o canal Showtime anunciou que vai produzir minissérie baseada na vida da atriz/cientista. Quem vai interpretá-la será Gal Gadot, a Mulher Maravilha.

A atriz americana Reese Whiterspoon está lançando um canal de VOD (vídeo on demand), que terá conteúdo todo voltado para a mulher. Estará disponível na DirecTV dos EUA.

A sexta (e última) temporada de “House of cards”, estreia no dia 2 de novembro na Netflix.  



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