Jornal do Brasil

Terça-feira, 19 de Junho de 2018 Fundado em 1891
Tom Leão

Colunistas - Tom Leão

O barato que não sai caro

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Até os anos 1980, éramos espectadores passivos do aparelho de TV. Existiam poucos canais e era preciso se programar para ver determinadas atrações, principalmente, os filmes da madrugada. Depois, com o advento do VCR (gravador de vídeo caseiro), se tornou possível gravar os programas, para ver depois. E alugar  filmes. O cinema não era mais a única opção para vê-los.

Na sequência, chegou por aqui, a TV paga (chamada genericamente de ‘TV a cabo’, mas existia também a opção por antena de satélite ou micro-ondas, na pioneira TVA). Assim, de meia dúzia de canais, pulamos para 40, 50. Atualmente, passam da centena, com ofertas para todos os gostos (música, esportes, infantis, séries, filmes etc). Parecia que as coisas tinham chegado a seu ponto de acomodação.

Mas, aí, surgiu o arquivo digital, via download ou por streaming (arquivos que você assiste sem ter de baixá-los). Foi a época do peer-to-peer, do Napster, que abalou o mundo da música e abriu caminho para o streaming como conhecemos hoje. Assim, uma locadora americana, que levava DVDs descartáveis na casa das pessoas - e que estava ameaçando a mega Blockbuster, por sua rapidez e baixo custo - surgiu.

O nome dessa empresa era Netflix. Logo, a Netfliix estava fazendo a transição do filme alugado entregue em casa para o diretamente na TV do assinante, pelo sistema VOD (vídeo on-demand). E, o resto, como se diz, é história. As locadoras convencionais quebraram, e a mídia física foi desaparecendo.

Mas este novo mundo abriu todo um portal para a pirataria. Não havia mais a obrigação de apenas comprar e alugar. Baixar era muito fácil. E gratuito. Até que os serviços de streaming se estabilizassem, como está acontecendo agora, foi um longo caminho. Hoje, você assina para ter música (em serviços como Deezer e Spotify, entre outros) e tem todo um mundo de filmes, séries e documentários na sua casa, seja via Netflix ou de outras, como Amazon, Hulu, Now, Crackle etc.

A necessidade de baixar filmes foi diminuindo. Porque, estes serviços, geralmente, são baratos, e entregam arquivos em alta definição (atualmente, até mesmo em ultra-definição 4k). Quem está perdendo assinantes, por isso, são as operadoras de TV paga.

Contudo, no fim das contas, todos ganham. Pesquisa recente (feita pela Alexandria Big Data) mostrou que o download ilegal foi reduzido em cerca de 80% no Brasil, por conta dos serviços de streaming de conteúdo. Deste total, mais de 80% têm o hábito de assistir filmes e series pela internet, sendo que a maioria esmagadora assina Netflix. Entre os motivos alegados para optar pelo streaming (e abandonar o download), pelos entrevistados na pesquisa, estão a comodidade de poder assistir ao conteúdo a qualquer hora, em qualquer lugar (como no tablet ou smartphone), poder pausar etc. Mas a maioria não abriu mão (ainda) da TV paga (quantidade de canais e maior opção de filmes) ou de ir ao cinema. No fim, o consumidor quer opções.

Rugidos

• A Netflix anunciou esta semana que “Perdidos no espaço” (Lost in Space) retornará para uma segunda temporada.

• A mesma Netflix, assinou com Guillermo del Toro (o diretor ganhador do Oscar 2018, com “A forma da água”), que vai criar uma antologia de terror, chamada “10 after midnight””. 

• O CEO da Apple, Tim Cook, anunciou esta semana, que o serviço de streaming Apple Music alcançou os 50 milhões de usuários. Para efeito de comparação, Spotify, o concorrente mais popular, tem 75 milhões de assinaturas pagas. 

• Várias redes de cinema do país (Cinépolis, UCI, Cinemark) exibirão, no dia 12 de julho, às 20h30, o concerto da banda inglesa Muse, na Drones World Tour. Os ingressos já estão à venda.



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