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Quinta-feira, 19 de Julho de 2018 Fundado em 1891
Tom Leão

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Uma série de grande sucesso - de audiência e crítica -, do serviço de streaming americano Hulu (ainda sem representação no Brasil), teve a segunda temporada iniciada esta semana, nos Estados Unidos.

Trata-se de “The handmaid´s tale”, que, por aqui, começou a ser exibida (ainda está na primeira temporada) no mês passado, através do canal pago Paramount (Net, Claro, Sky). Para quem ficou curioso para ver (devido aos inúmeros prêmios que ganhou, nos Emmy e Golden Globes, principalmente, os de melhor série) e não tem o hábito de fazer download, é imperdível. 

Baseado em livro da escritora canadense Margaret Atwood (a autora, ainda viva, foi consultora ativa da série; e teve outro livro seu adaptado recentemente para uma minissérie da Netflix, “Alias Grace”), se passa num futuro distópico, quando o lado Leste dos Estados Unidos, sobretudo, virou uma nação separada do resto do país (e, do mundo, também): uma ditadura teocrática e fundamentalista, regida por uma nova religião, na qual as mulheres são tratadas como cidadãs de segunda classe. 

Neste futuro sombrio, as mulheres deixaram de gerar filhos, por conta de um vírus, advindo de uma guerra que envolveu armas químicas. As poucas, que ainda conseguem engravidar e parir, viraram concubinas e servem a homens poderosos, que repovoam este novo mundo, doutrinando as crianças; que, após nascer, se tornam propriedades do Estado. Isso (a queda de natalidade, que poderia ameaçar a humanidade) foi o que motivou a revolução. 

Acompanhamos o destino de uma destas mulheres, Offred (interpretada por Elizabeth Moss, a Peggy de ‘Mad men’, que também é a coprodutora da série). Ao longo da temporada, vamos vendo - em flashbacks, entrecortados com a ação -, que ela se chamava June, tinha marido e filho, e que, ao tentarem fugir desse novo país (em geral, todos fogem para o Canadá, a terra livre mais próxima), foram presos e separados. 

E Offred virou “escrava” de uma casa comandada por um senhor chamado Fred (daí seu nome, of Fred) Watterford -- feito por Joseph Fiennes -, que, no decorrer dos capítulos, vai desenvolvendo afeição por ela. 

Na primeira temporada, foram apenas dez ótimos (e tensos) episódios. 

Para quem leu o livro, ‘O conto da aia’, publicado originalmente em 1985 - que sempre esteve nas prateleiras, mas foi relançado agora, em toda a parte, por conta do sucesso da série (no Brasil, saiu pela Intrínseca), pequenas diferenças serão notadas: como a idade dos “donos” de Offred (descritos como bem mais velhos no livro, do que na série) e a revelação do nome de Offred (no livro, ele nunca é dito, apenas sugerido por pistas). Mas, nada que altere o sentido ou o conteúdo.

Antes da atual adaptação de sucesso, “The handmaid´s tale” (feita com maestria pelo produtor e roteirista Bruce Miller) já havia sido um filme, dirigido pelo renomado diretor alemão Volker Schlondorff  (do premiado com Oscar de filme estrangeiro “O tambor”, 1979), em 1990, com roteiro do não menos renomado teatrólogo Harold Pinter; e, batizado em português de “A decadência de uma espécie”. Em 2000, foi adaptado para uma ópera, na Dinamarca, e apresentada pela Danish Royal Opera, e encenada em diversos países. 

Uma obra que ainda vai dar muito o que falar; e que, nestes tempos de Trump, guarda algumas similaridades com a vida real.

RUGIDOS

• O reboot de ‘Perdidos no espaço’ (Netflix), que comentamos aqui, na coluna passada, teve cerca de seis milhões de espectadores, em seu primeiro final de semana, nos EUA, segundo o Nielsen (o “ibope” americano). Para efeito de comparação, a estreia da segunda temporada de “Stranger things” alcançou 16 milhões de assinantes, entre sexta-feira e domingo. 

• Para quem perdeu nas telonas, estrearam ontem, nos principais serviços de streaming do Brasil (iTunes, Google, Now) o drama alemão “Em pedaços”, que traz uma arrebatadora atuação de Diane Kruger, e o thriller brasileiro ‘Motorrad’, de Vicente Amorim, que tem clima de HQ. Boas opções para o cinema em casa. 

• A primeira temporada da série, com o agente da CIA Jack Ryan, ainda nem estreou na Amazon e já teve a sua segunda temporada garantida. Ryan, que, no cinema, já foi encarnado por Harrison Ford; na telinha, será John Krasinski (o Jim de ‘The office’), quente com o sucesso de seu filme “Um lugar silencioso”. A série, estreia em agosto, e cada temporada terá oito episódios. 

• A aguardada conclusão de ‘Sense8’, das irmãs Wachowski, virá no (longo) episódio final especial, que a Netflix exibirá, mundialmente, no dia 8 de junho.



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