Jornal do Brasil

Terça-feira, 28 de Julho de 2015

Internacional - Terremoto no Japão

Acidente em Fukushima alcança nível 6 na escala de acontecimentos nucleares

Agência AFP

TÓQUIO - O acidente nuclear na usina japonesa de Fukushima é de nível 6 (num total de 7) e a construção em torno do reator número 2 já não é hermética, anunciou nesta terça-feira a Autoridade Francesa de Segurança Nuclear (ASN). "O fenômeno adquiriu um alcance muito diferente do de ontem (segunda-feira). Está claro que estamos num nível 6", afirmou André Claude Lacoste, presidente da ASN (organismo independente).

Lacoste disse ainda que o prédio de contenção do reator número 2 de Fukushima também já não é hermético. Na véspera, Lacoste afirmou que o acidente nuclear de Fukushima alcançou um nível de gravidade maior do que Three Mile Island, mas não chegou ao nível de Chernobyl. "É algo além de Three Mile Island (nível 5) sem alcançar Chernobyl (nível 7). Estamos com toda certeza num nível intermediário, mas não se pode descartar que podemos chegar a um nível da catástrofe de Chernobyl", acrescentou.

No sábado, as autoridades japonesas anunciaram que o acidente na usina de Fukushima alcançou o nível 4 da escala de acontecimentos nucleares e radiológicos (INES), que tem seu máximo no nível 7. Segundo esta escala, a catástrofe nuclear de Chernobyl, ocorrida em abril de 1986, foi avaliada no nível 7, o mais alto jamais alcançado, definido como um "acidente maior, com um efeito estendido ao meio ambiente e à saúde".

O nível 6, ou "acidente grave", se refere a um "vazamento importante que pode exigir a aplicação integral de contramedidas previstas", e o nível 5, um "acidente com vazamento limitado".

Three Mile Island é uma central nuclear americana que, em 28 de março de 1979, sofreu uma fusão parcial. 

 

Ventos afastam radioatividade para o oceano

Os ventos estão afastando para o oceano a radioatividade que paira sobre o Japão e outros países, indicou nesta terça-feira uma porta-voz da Organização Meteorológica Mundial (OMM), ligada à ONU."Todas as condições meteorológicas estão levando a radioatividade para o mar, sem implicações para o Japão ou outros países próximos", afirmou Maryam Golnaraghi, coordenadora do programa de redução de riscos em desastres nucleares.

As condições "vão variar à medida que os sistemas meteorológicos evoluem", explicou Golnaraghi. "Ainda não poderemos dizer, ao longo dos próximos dois ou três dias, o que vai acontecer", acrescentou.

Mais cedo, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) havia alertado para a emissão direta de substâncias radioativas na atmosfera. "As autoridades japonesas informaram hoje à AIEA às 04H50 (00H50 de Brasília) que a piscina de depósito de combustível usado do reator número 4 da central de Fukushima Daiichi estava em chamas, e que emitia radioatividade diretamente na atmosfera", indicou a AIEA em um comunicado.

O incêndio do reator 4 está "aparentemente apagado", indicou a mídia japonesa. "O incêndio que aconteceu no quarto andar do reator 4 está aparentemente apagado", informou a agência Jiji.

Além disso, as autoridades japonesas informaram à AIEA que uma explosão ocorreu no reator da mesma central às 06H20 (02H20 de Brasília). "Foram aferidas no local taxas de radioatividade de até 400 millisieverts por hora", acrescentou a AIEA.

Segundo um porta-voz do governo japonês, a preocupação agora é com os reatores 5 e 6 de Fukushima, que registraram uma leve alta da temperatura nesta terça-feira. "Observamos uma leve elevação da temperatura nos reatores 5 e 6", disse Yukio Edano, porta-voz do governo. Estas duas unidades estavam desligadas para manutenção no dia no terremoto. Para especialistas, o aquecimento pode se dever a um problema no sistema de resfriamento.

Tags: Japão, Terremoto

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