Jornal do Brasil

Terça-feira, 27 de Junho de 2017

Sol Maior

Conversando com a escritora e jornalista Manoela Ferrari

Maria Luiza Nobre

O Conversando de hoje é com a escritora e jornalista Manoela Ferrari, que nasceu em Vitória, no Espírito Santo e adora o  Rio de Janeiro, onde mora. É filha de dois nomes expressivos da sociedade de Vitória, seu pai, o festejado jornalista Marilio Cabral, e sua mãe, Sonia Ferrari Cabral, que foi um dos maiores ícones da vida musical do Espírito Santo, grande pianista e professora, que nos deixou mas está super presente na vida dos capixabas, pelo seu legado extremamente positivo na vida musical daquele estado, onde criou a Orquestra Filarmônica do Espírito Santo, quando dirigiu a Fundação Cultural da cidade. Hoje seu nome está perpetuado como Palácio da Cultura Sônia Cabral na capital capixaba.

Naturalmente Manoela conviveu com nomes importantes do cenário musical internacional na casa de seus pais, na lindíssima Ilha do Frade, além de ter seu irmão, que também era um excelente pianista e super empresário. Na semana do Dia da Mulher, prestamos nossa homenagem.

Capa do livro sobre a vida e a obra da pianista Sônia Cabral
Capa do livro sobre a vida e a obra da pianista Sônia Cabral

1) Foi lançado um livro sobre a vida de sua mãe, a professora e pianista Sônia Cabral. Podemos saber como você pensou na homenagem?

Minha mãe é referência na música erudita do Espírito Santo. Muito do que se realizou, no Espírito Santo, relativo ao gênero da música clássica leva a sua assinatura. Respondendo, durante 20 anos, por toda a programação de música erudita no Estado, ela fez história. Comprometida com a educação e a cultura, conquistou o respeito e admiração de toda a classe cultural, da sociedade e do governo, construindo com seu trabalho a história da música no Estado do Espírito Santo. Não poderia deixar de registrar, para as próximas gerações, este legado. Histórias de vida como as dela devem ser preservadas e utilizadas apropriadamente para manter viva a memória coletiva e promover o contínuo exercício de reflexão sobre suas trajetórias.

2) Como grande dama do piano e da cultura, a pianista Sonia Cabral, deixou um grande legado na cultura capixaba. Lembra eventos importantes?

Professora da cadeira de piano de 1969 a 1991, mamãe foi eleita diretora pelos corpos discente e docente da Faculdade de Música do Espírito Santo, até a sua aposentadoria em 1993. Criou o novo Regimento da Fames, instituindo o ensino de todos os instrumentos, antes restrito a piano, canto e violino. Realizou, também, dois concursos públicos para professores.

Durante 14 anos (1976 a 1990), coordenou a divisão de Música Erudita no Espírito Santo - a princípio na Fundação Cultural e, posteriormente, no Departamento Estadual de Cultura. Conseguiu levar ao ES artistas de renome no país e no mundo, orquestras e balés diversos, promovendo, ainda, encontros de corais, bandas, cursos e festivais variados. Elaborou o projeto de criação da Orquestra Sinfônica do Espírito Santo, abrindo, assim, novo mercado de trabalho para o músico capixaba. Preocupou-se não só com a formação do músico, como também na consolidação de uma plateia capixaba.

3) O Palácio da Cultura Sônia Cabral, em Vitória, é um expressiva homenagem perpetuando o nome de sua mãe. Concorda?

Com certeza. A vida e a obra de mamãe a credenciam para a justa homenagem feita um ano após sua morte, dando o seu nome ao Palácio da antiga Assembleia Legislativa, no centro de Vitória. Através do Palácio da Cultura Sônia Cabral solidifica-se a democratização do acesso à cultura, uma bandeira pela qual minha mãe sempre lutou.

Tags: Arte, coluna, concerto, cultura, maria luiza nobre, música, sol maior

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