Jornal do Brasil

Sábado, 1 de Novembro de 2014

Sol maior

Música no Museu em Hanói

Maria Luiza Nobre

O projeto Música no Museu foi criado pelo empresário Sergio da Costa e Silva,é um verdadeiro leque de ações entre as quais a Série Música no Museu ,de concertos diários no Rio de Janeiro e também em outras cidades,

festivais internacionais e concursos para jovens instrumentistas. O sucesso do projeto é sem dúvida o elemento surpresa,sempre uma nova realização,e nisso Sergio é um mestre. Agora leva o excelente Duo Milewski para fazer um recital do outro lado do planeta,em Hanói,no Vietnã. Para saber todas as novidades hoje a conversa é com o idealizador de tantos concertos.

Com uma série de concertos diária,um festival anual que coloca o Rio de Janeiro como a capital mundial da harpa no mês de maio,um festival de sopros,todos com concertos  lotados,dando também oportunidade para os que iniciam e precisam de palco para tocar,qual é o segredo para o sucesso do projeto Música no Museu,dirigido e criado por você?

Sérgio da Costa e Silva
Sérgio da Costa e Silva

Trabalho. Trata-se de um evento de fôlego voltado para o público, concertos diários que chegam a 37 por mês e só em maio foram 150. Não paramos nem mesmo na Sexta-Feira Santa e na Copa do Mundo inclusive em dias de jogos do Brasil. Uma ousadia mas que foi muito bem recebida já que o público surpreendeu até mesmo aos dirigentes dos locais dos concertos.Música no Museu é dividido em temporadas: concertos de verão, outono, inverno, primavera e natal e a cada mês privilegia  temas ou naipes. Janeiro e fevereiro homenageou  Guerra Peixe, Março foi o mês das mulheres- musicistas tocando músicas com nomes ou compostas por mulheres, abril misto, maio harpas, junho/julho, voz, agosto cordas, setembro pianos, novembro sopros e daí por diante. Já o RioHarpFestival, caminhando para a sua décima edição, colocou o Brasil e mais exatamente o Rio de Janeiro no circuito mundial das harpas ao lado de cidades da Austrália, Canadá, Holanda, França, China,USA e Inglaterra que, até então, eram as mais importantes. Nestes 9 anos já trouxe os mais importantes harpistas mundiais- neste ano foram 45 músicos de 25 paises- ao lado dos mais renomados brasileiros de vários estados. O Festival de Sopros cocomeça a trilhar o mesmo caminho. O seu patrocínio Master é a Light mas também conta com outros menores  como Carioca Engenharia, Universidade Estácio de Sá, Concremat, Ancar, MPE (Rio de Janeiro), BNDES e Correios (Norte-Nordeste), CEMIG (Minas) e vários na versão Sul/Sudeste (São Paulo a Porto Alegre), além do apoio da Rádio MEC. Na versão internacional conta com o apoio de nossas Embaixadas.

O  foco de Música no Museu é a  renovação da música clássica no Brasil e a formação de novas plateias. Ao lado dos maiores nomes brasileiros e internacionais, oferece espaços aos jovens talentos, principalmente aos ganhadores de prêmios. E o sucesso desta fórmula se traduz nos registros positivos da  critica e mídia e um público que sempre lota os seus espaços.

Cartaz do concerto no Vietnã
Cartaz do concerto no Vietnã

E o grande diferencial, concertos em pleno verão e, assim, de janeiro a dezembro de todos os anos, mudando o calendário da música clássica no Brasil tradicionalmente de março a novembro. Este conjunto faz de Música no Museu a maior série de música clássica do Brasil, record consagrado pelo Rank Brasil, a versão brasileira do Guinness Book. E na renovação da plateia, leva alunos de escolas públicas principalmente que assistem os concertos e depois visitam os lindos espaços e suas obras, museus, igrejas, palácios, centros culturais. Trata-se de um foco essencialmente cultural mesclando todas as suas manifestações agregadas pela música: história, arquitetura,artes plásticas. Isto sem falar no seu caráter nacional já que realiza concertos de Porto Alegre a Manaus e sempre nos locais de grande apelo cultural.

Música no Museu não pode ser comparado com eventos pontuais que proliferam pela cidade já que é um evento de fôlego realizado de janeiro a dezembro como dito anteriormente. É um projeto atípico e que tem suas peculiaridades. É fácil fazer um evento de 15 dias. Dificil é manter uma série diária com mais de 500 concertos/ano (este ano serão mais de 400) com a mesma regularidade e repercussão em 17 anos. Este é o segredo do seu sucesso e a resposta do público é a maior  alegria que se renova e amplia dia a dia, mês a mês, ano a ano e os muitos prêmios que vem  recebendo. Agora mesmo fui surpreendido com a escolha pela Proarte-Terezópolis como a personalidade cultural do ano juntando-me a nomes das versões anteriores como o futuro imortal Ferreira Gullar , Ivan Lins entre outros.

Música no Museu coleciona prêmios  desde a Ordem do Mérito Cultural, Golfinho de Outro, Latin American Quality Awards recebido na PUC em Buenos Aires,Embaixador do Rio, Mérito Judiciário, Urbanidades do IAB,Mérito Minas Gerais etc etc.além de honrarias do Senado Federal,  Câmara de Deputados, Assembléia Legislativa,Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro etc etc 

È um orgulho que compartilhamos, sempre, com o nosso público. 

Você realiza o Concurso Jovens Instrumentistas que tem como prêmio uma bolsa de estudos nos Estados Unidos no valor de U$105.000 dólares,considerado o maior prêmio em um concurso de música no país. Como surgiu isso?

Três músicos norte-americanos tocaram na Série patrocinados pelo seu Consulado. Como eles ficaram aqui mais tempo, pediram-me para assistir outros concertos. Não sabia que eram professores da James Madison University.  Entusiasmados com o nosso trabalho e vendo jovens tocando, ofereceram-me uma bolsa de U$105 mil para que eu escolhesse um dos jovens para cursar o ano seguinte naquela universidade. Não me senti preparado- até porque não sou  musicista- nesta seleção. Resolvi, então, criar um concurso, agora na sua VII versão e convidei músicos que normalmente se apresentavam na série: Paulo Pedrassoli, Kristina Augustin, Maria Celia Machado, Maria Helena Andrade, Israel Menezes, Zezé Chervitarese para a sua organização e que se tornaram membros da Comissão Organizadora. Posteriormente três deles foram substituídos pela Licia Lucas, Aizik Geller e Graça Alan sendo que a James Madison University designou sempre um representante, Paulo Steinberg, Eric Ruple e  Lori Piitz todos Chefes de Departamento de Música naquela universidade que tive o prazer de visitar o seu campus e ver a sua pujança, uma Escola Stenway. Tivemos, desde o seu início, apoio da Radio MEC cujo representante, Lauro Gomes,  participou do júri desde a primeira edição ao lado de nomes consagrados como Maestro Julio Medalha, Villani-Cortes, Ricardo Tacuchian, Luiz Carlos de Moura Castro, Harold Emert, Fábio Zanon, Adriano Jordão (Portugal), além de outros músicos internacionais.

Desde o início de Música no Museu, e aí já se passam 17 anos, oferecemos espaços aos jovens músicos. Trata-se de uma filosofia que não se limita apenas a promover apresentações, mas dinamizar e expandir as atividades musicais a outros níveis. Se não somos pioneiros, somos, sim, constantes nesta prática e, talvez, a única série que mescla, quase que em igualdade de condições, jovens e nomes de expressão mas, claro, dando-lhes o verdadeiro valor e hierarquia. Só em 2008 realizamos 503 concertos. Em 2009, foram 532 - um recorde -, assim como em 2010, com 502 concertos , 2011 com 450,  2012 com 420, 2013 e 2014 também com mais de 400 concertos.E cerca de 30% foram destinados a estudantes e músicos recém-formados.

Para os jovens que almejam uma carreira profissional no campo da música clássica, os concursos se apresentam como um dos meios mais eficazes para seu desenvolvimento artístico. Constituem excelente motivação para que se entusiasmem com o trabalho e com a performance, fatores imprescindíveis para seu crescimento. Consideramos ainda, que, com a possibilidade de um reconhecimento público, possam-lhes gerar conquistas de novas posições no cenário artístico nacional ou mesmo internacional. O Concurso Jovens Músicos - Música no Museu é uma iniciativa que tem por objetivo incentivar e promover oportunidades para estes promissores músicos, um verdadeiro investimento cujo resultado poderá ser a revelação de novos talentos. E continuamos com bons apoios, assegurando-se uma bolsa de estudos em uma centenária universidade americana, a JAMES MADISON UNIVERSITY, o que dá ao concurso uma dimensão internacional. Seis jovens já cursaram ou cursam esta Universidade e todos, sem exceção, têm brilhado nos seus cursos de Mestrado ou Doutorado. E este sucesso faz com que haja a sua continuidade. 

Mais uma inovação com a ida do excelente Duo Milewski,formado pelo violinista Jerzy Milewski e pela pianista Aleida Schweitzer,para um recital no Vietnã.Música no Museu também pelo mundo?

Música no Museu chega ao Vietnã: 

Com a apresentação do Duo Milewsky- Jerzy Milewsky, violino e Aleida Schweitzer, piano no dia 22 de agosto em Hanói, Música no Museu se expande para mais um país na Ásia. O concerto faz parte das comemorações dos 25 anos do início das relações entre o Brasil e Vietnã. Já em setembro a pianista Miriam Grosman apresenta-se na Biblioteca Joanina em Coimbra, no Palácio Foz, em Lisboa .Também em setembro o pianista João Carlos Assis Brasil apresenta-se em Viena  no Welt Museum, voltando a cidade onde estudou depois de 30 anos. Em outubro leva o pianista Ricardo Mac Cord também a Portugal.

Música no Museu iniciou  a sua versão internacional em 2005, em Paris,  nas comemorações do Ano Brasil-França, sob o titulo Musique au Musée- Museée de Montmartre , A partir de 2008 realizou concertos em cidades de Portugal (Lisboa, Santarem, Alcobaça, Aveiro, Coimbra e Porto),  Praga (Republica Tcheca), Nova Iorque e Washington (USA) e Paris. Em 2009 prosseguiu com concertos também em Portugal (Lisboa)  mas agregando Espanha (Madrid, Salamanca) e Marrocos (Rabat). 

Em 2009, em Portugal (Lisboa) e Espanha (Madrid) e, em  2010 dá continuidade a sua programação internacional com concertos em  Portugal (Lisboa), Espanha (Madrid e Bilbao), India , (Nova Delhi), França (Paris)  e encerrando   no Carnegie Hall, em Nova Iorque (USA) com o programa Classicos brasileiros: de Villa-Lobos a Tom Jobim. Em 2011 voltou a Portugal (Lisboa), Espanha (Madrid e Bilbao), França (Paris) e chegou a Australia (Sydney). Já em 2012 fez concertos em cidades de Portugal (Lisboa, Alcobaça, Coimbra) e, nos Estados Unidos (Los Angeles) e, em 2013, ampliou-se para o Chile (Santiago) e Australia (Brisbane, Canberra e Sydney) Argentina (Bunos Aires),  Havai (Honolulu), Viena (Austria) Em 2014 volta  a Portugal   (Lisboa, Alcobaça e Coimbra),  Austria (Viena) e chega ao Vietname (Hanoi)   e, assim, atingindo a todos os continentes, levando musica e músicos brasileiros para o exterior.

Também são expressivos os registros na mídia internacional com destaque para o New York Times, Le Monde de la Musique entre outros.

Outros músicos que já se apresentaram:

-Quadro Antiquo (Kristina Augustin, Mário Orlando, Sonia Wergnast) – cidades de Portugal, Espanha e República Tcheca

-João Carlos Assis Brasil, piano- cidades de Portugal, Espanha, Austria,India.

-João Carlos Assis Brasil, piano e Márcio Gomes, voz- Argentina.

-Miriam Grosman, piano- cidades de Portugal,  Espanha e Havaí.

-Almendrix Trio (João Carlos Assis Brasil, piano, Paulo Pedrassoli, violão e Karla Bach, percussão)- cidades de Portugal, India, Chile, e Australia

-Duo Maria Teresa Madeira, piano e Leo Gandelman, sax- cidades da Espanha.

-Brazilian Tropical Violins.-Austria.

-Fernanda Canaud- cidades de Portugal e Espanha sendo que no Museu Guggenhein, em Bilbao, realizou o primeiro concerto de música brasileira naquele esoaço.

-Carol Murta Ribeiro, piano- cidades de Portugal e Marrocos.

-Paulo Steinberg, piano- cidades dos Estados Unidos.

-Pablo Lapidusas, piano- Portugal.

-Arthur Villar, piano- Portugal.

-Priscila Bomfim, piano, Paulo e Ricardo Santoro (cellos), Angelica de la Riva e Gilsse Campos (voz), Leticia Barros (percussão). Direção Haroldo Costa.

Já estamos montando a versão Música no Museu Internacional-2015 e dentre os países que pretendemos chegar é Cuba um país nunca prestigiado  pela música clássica brasileira mas sim MPB.

Muito obrigada pela conversa Sergio da Costa e Silva.

Tags: coluna, JB, maior, sol, texto

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