Jornal do Brasil

Quinta-feira, 30 de Outubro de 2014

Sol maior

O maestro Lorin Maazel e o Rio de Janeiro

Maria Luiza Nobre

O desaparecimento no domingo do maestro americano,mas nascido em Paris em 1930,Lorin Maazel foi sem dúvida uma perda para a música clássica do planeta. Um músico completo, estudou violino e teve sua sorte lançada quando foi convidado a reger as principais orquestras americanas com apenas quinze anos de idade. Com uma carreira belíssima,regeu uma estimativa de 5000 espetáculos e mais de 150 orquestras,além das suas 300 gravações, onde reinam as obras completas de Beethoven, Brahms, Mahler,

Richard Strauss,Debussy, Schubert,Tchaikovsky e Rachmaninov,o que lhe valeu vencer 10 Grands Prix Du Disques. Considerado como um dos melhores regentes do mundo, sendo mesmo chamado de a melhor batuta da atualidade,foi diretor artístico da Deutsche Oper Berlin,diretor geral da Ópera Estatal de Viena,da Orquestra Sinfônica da Rádio da Baviera,da Orquestra Filarmônica de Munique,a Pittsburgh Symphony,da Orquestra de Cleveland e da Orquestra Filarmônica de Nova Iorque. O maestro Lorin Maazel,segundo suas próprias palavras,foi casado com uma brasileira, e convidado pelo maestro Marlos Nobre veio ao Rio de Janeiro exatamente dia 16 de dezembro de 1986,quando subiu ao palco do Theatro Municipal da cidade,para reger um concerto de gala no projeto World Philarmonic Orchestra e a pedido de Nobre regeu o Choros VI de Villa-Lobos, para homenagear o centenário do compositor. Foi um concerto magnífico,onde os músicos também tocaram no gramado do Maracanã e se encantaram com a energia. Da amizade nascida na referida época ficou uma admiração,onde o maestro Marlos Nobre, atual regente titular e diretor musical da Orquestra Sinfônica do Recife elogia o antigo amigo “Lorin Maazel foi seguramente a batuta de ouro do século XX. Em minha opinião nenhum outro regente possuia ao mesmo tempo, como ele, a batuta claríssima, segura e musical com a qual praticamente desenhava diante dos músicos de todo o mundo a pulsação, a dinâmica, a construção melódica e seu correspondente apoio harmônico,além do próprio dinamismo da arquitetura da obra. Seu legado está em gravações e vídeos que não deixam dúvidas sobre a sua genialidade como regente.”  

Maestro Lorin Maazel
Maestro Lorin Maazel

O maestro Roberto Tibiriçá,que já foi regente titular e diretor musical da Orquestra Sinfônica Brasilera,da Orquestra Petrobrás Sinfônica e da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, lembra Maazel quando afirma “Podemos dizer,que,com o falecimento do grande maestro Lorin Maazel,perdemos não só este excelente músico,mas um “brasileiro de coração”.Maazel tinha vínculos muito fortes com nosso País, principalmente com o Rio de Janeiro”. 

Muitas vindas ao Rio foram mágicas,concertos inesquecíveis foram regidos e vividos assim como a super lembrança do maestro tomando um chopp em um bar da Cinelândia,após um concerto.

A Fundação Orquestra Sinfônica Brasileira,FOSB,em nota,lamenta profundamente a perda do maestro Lorin Maazel, um dos maiores regentes do cenário clássico. Maazel fez parte da história da OSB ao comandar o conjunto em uma apresentação histórica em 2011, no Festival Beethoven, organizado pela FOSB. Em agosto deste ano, a Fundação havia anunciado mais uma prazerosa parceria com o maestro, mas já por conta de problemas de saúde ele não poderia comparecer e, em respeito ao artista,a FOSB optou por cancelar a agenda de concertos. O maestro titular da OSB, Roberto Minczuk,que também foi regente associado de Maazel na Filarmônica de Nova York, entre 2002 e 2004, reforça a grandiosidade do regente norte-americano e o legado deixado pelo artista.“Maazel foi um desses artistas geniais, criativo, incansável na busca de fazer seu trabalho cada vez melhor. Tive o prazer de ser seu Regente Associado na Filarmônica de Nova York e de vê-lo regendo a OSB em 2011 com o mesmo entusiasmo que regia a Filarmônica de Berlim. Certamente uma grande perda, mas deixa também uma herança para todo o mundo como poucos fizeram. Muito obrigado, Maestro Maazel!”. 

A FOSB se orgulha de ter tido em sua história a presença e a marca do profissionalismo e brilhantismo de Lorin Maazel e agradece ao maestro pela confiança e contribuição ao conjunto.

Em 2009 Lorin Maazel fundou com sua esposa, Dietlinde,o Festival de Castleton,tornando possível,desde então,anualmente e sempre no verão a realização de seminários e cursos em sua fazenda na Virgínia,nos Estados Unidos,onde o seu maior objetivo era apresentar e dar oportunidade aos jovens músicos talentosos  que descobria. Na noite de abertura do festival, no dia 28 de junho de 2014,referiu-se ao seu trabalho como “mais do que um trabalho de amor – um trabalho de alegria”. 

Lorin Maazel era apaixonado pela cidade de Munique e infelizmente não assumiu a responsabilidade de ser o diretor musical de uma das melhores orquestras do mundo,a Filarmônica de Munique,em sua terceira temporada 2014/2015.

O Rio de Janeiro agradece a sua presença sempre mágica que encantou a cidade com a sua batuta dourada.

Tags: coluna, JB, maestro, nobre, sol maior

Compartilhe:

Postar um comentário

Faça login ou assine para comentar.