Jornal do Brasil

Domingo, 21 de Dezembro de 2014

Sol maior

Nikolai Lugansky, piano

Crítica de recital realizado no dia 27, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro

Marua Luiza Nobre

A Série Concertos Internacionais 2014 da Dell’Arte começou com sucesso absoluto domingo, com o recital do pianista russo Nikolai Lugansky,já conhecido da platéia carioca,mas que não visitava o Rio de Janeiro há cinco anos. Ninguém se esquece a primeira vez que Lugansky tocou a célebre Suíte para dois pianos de Rachmaninov,com o também pianista Vladimir Rudenko,era sem dúvida o melhor da escola russa de alunos do  sempre querido pianista Sergei Dorensky no palco do Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

O recital começou com o Prélude,Choral et Fugue do compositor belga César Franck, obra considerada como uma das mais profundas e difíceis páginas da literatura pianística,onde a polifonia é constante e a estrutura deve ser construída para chegar ao ponto alto que é a Fuga,com seus três temas girando simultaneamente,o que requer do pianista um virtuosismo e um domínio total do instrumento,o piano. A obra foi traduzida com imensa poesia,qualidade sonora e técnica segura,deixando logo claro que o palco não tem segredo nem limite para Lugansky. 

Maria Luiza Nobre, o cônsul geral da França Brice Roquefeuil e o pianista Nikolai Lugansky
Maria Luiza Nobre, o cônsul geral da França Brice Roquefeuil e o pianista Nikolai Lugansky

A segunda obra do programa foi a do compositor russo Sergei Prokofiev,que apesar de não ser uma das mais belas de suas sonatas para piano,é um caleidoscópio de idéias que certamente ajudaram o compositor a chegar na Sonata nº7 tida como a mais bela. O importante de ser programada uma obra pouco executada para a platéia carioca,é o conhecer o desconhecido e pelas mãos de Lugansky tudo era muito claro,o texto muito bem traduzido e a obra,apesar de não ter a liquidez desejada para o repertório,surgiu de maneira impecável nas mãos do intérprete. A tão esperada série de Préludes op.32 do também russo Sergei Rachmaninov foi executada bravamente pelo pianista,com várias atmosferas intimistas, os pianíssimos de uma qualidade invejável assim como seus fortes redondos e bem cuidados, sem nenhum tipo de dificuldades, pelo contrário o domínio mental e técnico eram naturais e muito presentes traduzindo a mais pura  certeza de Rachmaninov é realmente o universo do artista,que dias antes executou o Concerto nº3 para Piano e Orquestra do mesmo autor em São Paulo. 

O sentimento que fica é que o pianista está fazendo o que gosta com uma segurança digna das portas de Kiev,um domínio do teclado inspirador além de deixar a platéia relaxada para admirar sua arte. Mendelsohn e Chopin foram os dois extras,os bis,com que Lugansky brindou a platéia. Após o belíssimo recital o pianista ganhou um jantar de aniversário,comemorado exatamente ontem,na casa da empresária Myrian Dauelsberg que apresentou várias frutas brasileiras ao artista,que ficou encantado. Para terminar a noite, fomos nós que fizemos uma outra homenagem ao pianista russo,além de alguns pianistas da nova geração, o pianista Miguel Proença e eu mesma,a colunista que vos escreve,tocamos além do tradicional parabéns,o Saldamos o Grande Dia do nosso Villa-Lobos. 

O BRAVO da coluna ao artista e seu impecável recital.

Tags: coluna, Luiza, maior, Maria, nobre, sol

Compartilhe:

Postar um comentário

Faça login ou assine para comentar.