Jornal do Brasil

Sexta-feira, 18 de Abril de 2014

Sol maior

Música clássica perde maestro Abbado

Confira a agenda de 23 a 29 de janeiro

Maria Luiza Nobre

Semana triste para o meio musical internacional com a perda de um célebre maestro italiano. Beethoven é a grande atração com a integral com os concertos para piano nas mãos de intérpretes que iniciam suas carreiras. Série de concertos que faz mais de 400 apresentações anuais continua com concertos de verão, neste Rio de Janeiro,cidade que no primeiro mês do ano oferece concertos diferentes, com propostas interessantes para se começar o ano com muita música clássica. 

CLAUDIO ABBADO – Um dos regentes mais elegantes, competentes e carismáticos deixou o mundo musical consternado com sua passagem,sim pois o célebre maestro italiano Claudio Abbado,nascido exatamente em Milão,partiu aos 80 anos de idade,em sua casa em Bologna. Conhecido por ser perfeccionista ao extremo o maestro Abbado esteve à frente de instituições de grande excelência como o Teatro Scala de Milão,da Ópera Estatal de Viena,foi nomeado regente permanente da Orquestra Filarmônica de Viena e fundador da Orquestra de Jovens da Comunidade Européia. Com a Orquestra Filarmônica de Berlim,da qual foi diretor musical,esteve no Brasil em 2000 convidado pelo Mozarteum Brasileiro se apresentando inclusive no Rio de Janeiro.Grande incentivador da Orquestra Sinfônica Simon Bolívar da Venezuela, o maestro Abbado foi um dos padrinhos musicais de um querido da coluna,que é o maestro Gustavo Dudamel. Nada mais expressivo do que ouvir maestros brasileiros, inclusive que conheceram Abbado, darem seus depoimentos sobre um dos mais célebres regentes da atualidade. A coluna agradece aos nossos maestros pela gentileza de seus comentários.

 Para o maestro Isaac Karabtchevsky, atual diretor artístico e regente titular da Orquestra Petrobrás Sinfônica no Rio de Janeiro e da Orquestra de Heliópolis em São Paulo “O panorama da música sinfônica careceu desde os seus primórdios de figuras que fossem capazes de galvanizar, através do seu carisma e talento, uma massa cada vez mais numerosa de instrumentistas. Quando ocorria o milagre, era como se todos se transformassem num só, como se uma idéia fosse sentida e compartilhada, como se todos falassem num mesmo diapasão. Foi assim com poucos, eu poderia citar Weingartner, Furtwängler, Karajan, Bruno Walther,Toscanini, como expressivos representantes da geração passada, aquela que não mais se esquece. O que eles tinham em comum? Em primeiro lugar, a capacidade de dizer tudo com poucos gestos, de fazer com que os músicos fossem imbuídos da mesma força criativa e que não medissem esforços para alcançá-la.

O fenômeno reapareceu na figura de Claudio Abbado. Conheci-o em Viena, quando ele era titular da Wiener Staatsoper, muitas vezes almoçamos juntos no restaurante do Bristol. Desde logo senti sua força e, ainda mais importante do que ela, a consciência de que tinha pela frente uma missão, aquela de fazer continuar, de forma indelével, a mesma tradição de seus predecessores. Sua ida para a Filarmônica de Berlim, logo após a morte de Karajan, foi um ato de coragem e convicção - ele sabia que a ele estava predestinada uma atribuição histórica, aquela de manter viva a chama da tradição dos grandes regentes.Sua morte deixa uma enorme lacuna.” 

O maestro Marlos Nobre, atual diretor musical e regente titular da Orquestra Sinfônica do Recife,o mais antigo conjunto sinfônico do país, exprime “Claudio Abbado sempre representou para mim a personificação do regente ideal: ele praticamente tomava posse da obra que dirigia, como se a tivesse escrito. Nenhum detalhe de dinâmica, fraseado ou estilo lhe escapava. Ele incorporava mentalmente e de tal maneira a obra que ao dirigir dava sempre a impressão de estar criando-a pela primeira vez. Essa impressão eu tive ao assisti-lo regendo a 5a Sinfonia de Mahler, sendo impressionante não o fato de regê-la de memória mas como realizava totalmente as mais sutis intenções do compositor. Ao lado do gênio musical de intérprete que foi, tive o prazer de jogar algumas partidas de tênis com ele em Santander na Espanha e via a mesma energia e concentração que ele colocava naquele simples jogo. Detalhe: empatamos duas partidas  e não quisemos desempatar,amigos somam. Vá em paz, querido amigo Claudio Abbado, seu grande legado nesta terra serve de lição a todos que se dedicam à grande Música.”

São palavras do maestro Fábio Mechetti ,diretor artístico e regente titular da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, “ Com grande prazer, pois para mim o Abbado até ontem era o maior regente vivo e hoje passa ser um dos grandes regentes da história. Sempre admirei Cláudio Abbado, e quanto mais ele amadurecia mais o admirava. Quando jovem era óbvia a sua natureza e facilidade para a regência. No decorrer das décadas ele mostrou além desse incomparável talento, uma relação com a música cada vez mais profunda, intensa e acima de tudo honesta.

Suas interpretações, especialmente do repertório do fim do século XIX e início do século XX, mostram um controle absoluto das questões interpretativas, utilizando-se sempre de uma abordagem digna, íntegra, e desprovida da afetação tão presente na corrente geração de músicos. Ele sempre representou a tendência contrária ao culto do efeito pelo efeito, da liberdade interpretativa que desfigura a obra regida, mostrando ser um dos poucos regentes do século XX que manteve sua integridade estilística inabalada. 

Creio que Abbado definiu em sua carreira e sua conduta profissional valores que hoje quase estão se perdendo, mas que sempre me deram pessoalmente momentos de muita reflexão. Acho que ele, assim como eu, tinha como credo que a Música, especialmente a regência, ainda é uma Arte e não um esporte.

Fiquei profundamente triste com sua morte, mas sempre esperançoso que as suas interpretações e suas mensagens como artista, sirvam sempre de modelo para nós que ficamos e para os futuros regentes que hoje despontam.” 

O maestro Roberto Tibiriçá, antigo regente titular da Orquestra Sinfônica Brasileira, resume em poucas linhas "Claudio Abbado foi um grande humanista! Pensava nos outros, além de ser um deus na regência! Sua música inspirava a todos e sua conduta nos levava a crer mais no Ser Humano!" 

A jovem estrela da regência brasileira do momento,o maestro Marcelo Lehninger,diretor artístico e regente titular da New West Symphony Orchetra e regente associado da Boston Symphony Orchestra, estava em Seattle, nos Estados Unidos regendo a orquestra local e atendeu prontamente nossa solicitação,expressando "É com grande tristeza que recebi o comunicado sobre o falecimento do Maestro Cláudio Abbado.

Considero o Maestro Abbado um dos mais notáveis regentes de todos os tempos. Um homem de total entrega e dedicação à sua arte, que nos deixa como herança um incrível legado musical.Sofreu e lutou por muitos anos contra uma doença devastadora que o debilitou fisicamente mas o fez crescer ainda mais como ser humano. Um sobrevivente! 

Que sua alma descanse em paz e que sua memória jamais seja esquecida." 

A colunista conheceu pessoalmente o maestro Claudio Abbado de quem se tornou fã incondicional e admiradora de sua elegância,carisma e talento,um verdadeiro cavaleiro,e completa que sua obra é eterna e seu legado deslumbrante. 

BEETHOVEN – Oportunidade única e diferente é a maneira que Myrian Dauelsberg,empresária e eterna professora dos mais expressivos pianistas brasileiros,encontrou de levar ao palco os Cinco Concertos  do grande  L.V.Beethoven em dois dias, no Espaço Furnas Cultural em Botafogo.

Os concertos serão apresentados na versão de dois pianos,e para elucidar e esclarecer as várias perguntas que tenho recebido, ao contrário do que muitos pensam, as versões que são tocadas e apresentadas no segundo piano,fazendo o papel da orquestra,foram feitas por Max Von Pauer, pianista e arranjador constando,assim nas Edições Peters. A excelente pianista Priscila Bomfim que terá a responsabilidade de fazer os cinco concertos,tocando a parte orquestral ao piano,vai ler o texto já existente nas edições. Como a colunista sabe? Estudei todos os cinco concertos de Beethoven. Uma das mais importantes obras da literatura clássica, que são os Cinco Concertos, serão divididos da seguinte maneira,no sábado dia 25 às 20h, sobem ao palco os pianistas Patrick Rodrigues, Daniel Burlet e André Signorelli, executando respectivamente os Concertos nº 1, 2 e 3. No domingo às 19h,será a vez dos pianistas Patrícia Glatzl e Silas Barbosa tocarem os Concertos nº4 e 5. Excelente opção para o final de semana, com entrada franca e distribuição de senha a partir das 14h no dias dos concertos. Vou e depois conto tudo para vocês. Informações: 2528-2794. 

DESAFIOS – Está de volta a Série Desafios Musicais apresentando no próximo dia 25 duas sessões de videoconcertos ,às 15h e 18h,no cinema do Centro Cultural Justiça Federal. Produção de Saulo Chermont, ingressos no local e maiores informações: 3261-2550. 

CD – A coluna recomenda muito o CD Falando Brasileiro do Quinta Essentia Quarteto. É o segundo álbum do conjunto de flautas que transmite todas as emoções do instrumento,através de obras brasileiras originais ou com arranjos de compositores como Antonio Carlos Jobim, Milton Nascimento e Fernando Brant, Guinga,Eduardo Escalante entre muitos outros. O quarteto além de excelente é formado pelos flautistas Felipe Araújo, Fernanda de Castro, Gustavo de Francisco e Renata Pereira.

A apresentação é bonita muito pensada em preto e branco. Maiores informações para o email: 5e@5eofficial.com 

MÚSICA NO MUSEU – Depois do sucesso no Weltmuseum em Viena,na Áustria na semana passada,onde os Brazilian Young Violinists se apresentaram, volta ao Rio de Janeiro o diretor da série Música no Museu, Sérgio da Costa e Silva. Continuando com os concertos na cidade maravilhosa,hoje às 12h30 no Real Gabinete Português de Leitura, recital do violonista Vicente Miranda,dedilhando um programa especial com obras de  J.S Bach, Mauro Giuliani, Francisco Tarrega, F.M Torroba, Isaac Albeniz e Agustín Barrios. Dia 24,às 12h30,também no Real Gabinete Português de Leituramrecital de do violonista Pedro Barros apresentando um programa com obras de J.S.Bach, Guinga,Heitor Villa-Lobos, Pixinguinha e  Pedro Barros. Dia 25 às 17h,na A Hebraica,apresentação do grupo BoçaBessa com programa especialmente sobre os Clássicos da Bossa Nova. Dia 26 às 11h30,horário tradicional dos concertos no Museu de Arte Moderna, tendo a pianista Fernanda Canaud, e as vozes de Ulisses Montoni e Marly Montono com programa Guerra Peixe. Dia 28 às 18h,no Museu do Exército no Forte Copacabana, concerto do Quinteto Brasileiro de Metais formado por Paulo Mendonça e Luciene Portella,trompetes, Francisco Soares, trompa,Sérgio de Jesus, trombone e Carlos Vega, tuba. No programa obras de E. Nazareth, Pixinguinha, Ary Barroso e  Tom Jobim. Dia 29 às 12h30, na Tenda localizada no Centro Cultural Banco do Brasil,apresentação da Orquestra Opus executando obras de J.S.Bach, Dvorak e Alberto Nepomuceno e J. S. Bach. Todos os concertos são com entrada franca.

Dica da Semana com o célebre maestro Claudio Abbado

 

 

 

Tags: coluna, Luiza, maior, Maria, música, nobre, sol

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