Jornal do Brasil

Terça-feira, 27 de Junho de 2017

Sol Maior

Crítica: O Rei Pastor

Maria Luisa Nobre

A ópera foi escrita por Mozart em dois atos,um em um prado e o outro em um acampamento. No esplendor do Jardim Botânico,e dentro do muito agradável Espaço Tom Jobim,ouvimos a ópera “O Rei Pastor”,no ambiente de um bosque, traduzida em versão de concerto, o que, aliás foi um super sucesso pensado pelo grande realizador Fernando Bicudo, Diretor Artístico da Orquestra Sinfônica Brasileira. A idéia da OSB de ter duas orquestras é um inegável acerto,e os parabéns para a direção do conjunto por ter uma finalização tão inteligente.Sem dúvida alguma a solução foi magistral.

Feito o prelúdio inicial ,voltamos  ao domingo, onde o público lotou o Espaço Tom Jobim,que aliás está de parabéns pela delicadeza de seus funcionários e a elegância com que abre o local ao público.O maestro Henrique Morelenbaum com sua imensa experiência liderou a tarde com a competência de sua regência. Depois da abertura da ópera,o maestro ia buscar cada solista,as mulheres ele trazia pelas mãos,um ato muito elegante.A soprano Chiara Santoro foi a primeira a ser ouvida como o Pastor Aminta, como já informamos em outra coluna, a ópera foi originalmente escrita para um castrati, um homem com o timbre de voz feminino,e a soprano iniciou muito bem seu canto. Eis que surge a soprano Marina Considera dando vida a Elis,uma presença belíssima,com um timbre de voz lindo, e o que mais gostamos, além de sua técnica impecável,são seus pianíssimos angelicais,mostrando que a acústica do local é muito boa. 

Marina está de parabéns, há um mês brilhou na ópera Maria Tudor,e já é um nome que cada vez que consolida como presença segura no palco.Chiara voltou e brilhou também.O dueto de Aminta e Elisa,Chiara e Marina,também foi um dos momentos mais emocionantes assim como a ária em que Aminta/Chiara canta com o solo do spalla da orquestra. As vozes masculinas foram também um sucesso, o Alessandro de Jacques Rocha foi um ponto alto em que o artista demonstrou uma perfeita segurança e intimidade no palco,com a voz bem projetada e uma técnica sólida. Agenore encarnado por Ivan Jorgensen também foi um sucesso,já esperado.Tamiri de Laila Oazen mostrou que a soprano tem um potencial muito bom para ser desenvolvido e precisa se apresentar mais para se sentir confortável no palco. Os professores Eliane Sampaio,Teresa Fagundes e Nelson Portela,estão também de parabéns vendo seus pupilos brilharem. 

Cantores talentosos precisam ter apresentações, é no palco que se ganha experiência,é ali que tudo acontece,é ali que se aplica o que se estuda, e o melhor do momento que estamos vivendo no Rio, são as oportunidades surgindo. Há menos de um mês a Finep realizou Maria Tudor e agora a OSB,o Rei Pastor. O Rio precisa ter mais apresentações de óperas,as de câmara já são um sucesso garantido,com textos nunca aqui levados e produzidos. A figura de Fernando Bicudo é a melhor garantia de que podemos estar salvos.

O BRAVO da coluna.

Tags: Critica, cultura, mozart, orquestra sinfônica brasileira, ÓPERA

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