Jornal do Brasil

Sábado, 20 de Janeiro de 2018 Fundado em 1891

Sol Maior

Crítica – Maestro Carlos Prazeres brilha com Opes

Maria Luiza Nobre

O concerto, realizado no último domingo, com a Orquestra Petrobrás Sinfônica, foi um grande sucesso, como, aliás, é a temporada de 2011 do conjunto.

O programa iniciou com uma obra recém-nascida: A Confederação dos Tamoios, do compositor Cláudio de Freitas. O poema sinfônico em dois movimentos começa com uma atmosfera indígena, explorando de maneira muito efetiva os instrumentos de percussão, o que é notado no decorrer da obra, assim como o destaque para os metais.

>> Agenda da semana

O maestro Carlos Prazeres é um dos regentes mais talentosos da nossa geração
O maestro Carlos Prazeres é um dos regentes mais talentosos da nossa geração

O compositor estava presente na sala e recebeu os aplausos do público. Em seguida, era a vez do festejado pianista Jean-Louis Steuerman tocar o Concerto nº1 para piano e orquestra, de S.Rachmaninov. O artista é dono de uma técnica muito limpa, um som caloroso e uma concepção impecável, com belos climas na obra, reafirmando ser um pianista de alto nível internacional.

A orquestra mostrou suas virtudes atuais na Sinfonia nº 5, de S.Prokofiev, obra de extrema dificuldade para todos os naipes, apresentando uma versão exuberante e muito bem cuidada, em todos os detalhes, pelo maestro Carlos Prazeres, que é um músico altamente talentoso e, sem dúvida, um dos nomes mais importantes da nova geração de regentes no Brasil. A obra é considerada a mais importante e a melhor sinfonia do compositor russo, e a Opes está de parabéns pela energia saudável que passa e a vibração do conjunto como um todo. O BRAVO da coluna ao maestro Carlos Prazeres pelo sucesso do concerto. 

CRÍTICA 2- Virtuosismo polonês com direção brasileira

O concerto, também realizado no último domingo, na série Domingo no Municipal, trouxe ao Brasil uma das maiores orquestras de câmara da Polônia. A Capella Bydgostiensis tocou um programa muito agradável ao público que gosta de ouvir música aos domingos pela manhã. A Serenata para cordas nº13, K 525, de Mozart, mais conhecida como Eine kleine nachtmusik, foi o começo de um espetáculo de muito sucesso, com um estilo altamente desejado, impecável mesmo. Seguiu-se a Serenata, de E.Elgar, que ratificou a completa compreensão estilística, peça de um romantismo executado na mais perfeita sobriedade inglesa. As Danças romenas, do húngaro Bela Bartok, consideradas como as mais populares do autor, pegaram fogo no palco do Teatro, com sonoridades típicas e arcadas muito bem estruturadas. Orawa de Wojciech Kilar mostrou de fato o grande virtuosismo da orquestra.

A obra tem temas folclóricos, com um tratamento minimalista americano, explorando a repetição com variações constantes, e terminou com um deslumbramento virtuosístico, o que fez o público ovacionar o conjunto. O grande maestro brasileiro José Maria Florêncio é um exemplo a ser seguido. Ele é oriundo do Projeto Espiral, um projeto irmão do El Sistema, da Venezuela, que foi criado no Brasil pelo maestro Marlos Nobre. O então menino de Fortaleza estudou na Juilliard School em Nova York, tornou-se diretor artístico e musical da Ópera Báltica de Gdansk e maestro titular da Orquestra Sinfônica de Varsóvia. O regente agradeceu ao maestro Henrique Morelenbaum, que estava presente ao concerto, assim como o maestro Nobre. O BRAVO da coluna ao talento do maestro Florêncio por sua carreira e seu profissionalismo.

Tags: capella bydgostiensi, carlos prazeres, crítica

Compartilhe: