Jornal do Brasil

Sábado, 20 de Janeiro de 2018 Fundado em 1891

Sol Maior

Crítica: Dudamel - Fenômeno? Um gênio

A ovação do público ao ver o maestro já era o prenúncio do que seria o concerto

Maria Luiza Nobre

A Orquestra Simon Bolívar é um conjunto, formado por uma juventude talentosa e um líder, sim, um jovem líder, de estatura pequena. 

Um astro! O som da orquestra é belíssimo, a afinação nem se fala! Qualquer naipe, em qualquer compasso, era um exemplo de afinação. O programa começou com Daphnis et Chloé de Ravel, com solos deslumbrantes assim como nos “tutti”, que é o momento em que os instrumentos tocam todos ao mesmo tempo, o poder sonoro é invejável, realmente um privilégio. O ritmo é perfeito, tudo é muito natural e fluente sem nenhuma dificuldade. 

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As obras de Castellano e Chaves reafirmaram o poder rítmico do conjunto, mas no Pássaro de fogo, de Stravinsky, o clima exuberante foi de arrepiar. 

A batuta de Dudamel é mágica e elétrica, a independência de braços nos movimentos é realmente assustadora de tão precisa. A segurança do maestro, que regeu todo o concerto de memória, é o segredo do sucesso pleno e a certeza de que a orquestra não é de más surpresas, isto é, a concentração de seus músicos é tão grande que nem uma nota sai fora do lugar. Ao agradecer os aplausos,  Dudamel faz questão de não ir ao pódio, agradece ao lado de seus músicos, deixando bem claro que, apesar de todas as glórias e homenagens, ele faz parte do próprio “El Sistema”. Ele incendeia a orquestra, e sua mão é o próprio Pássaro de fogo.

A Orquestra  Simón Bolivar, regida pelo maestro Gustavo Dudamel (ao centro)
A Orquestra Simón Bolivar, regida pelo maestro Gustavo Dudamel (ao centro)

Ao final das três peças, foi tocado (como bis) o Danzón, uma espécie de hino do sistema, um verdadeiro happening em que os músicos levantam e rodopiam os instrumentos, uma grande festa para relaxar da concentração do concerto. Na plateia, o maestro José Antonio Abreu recebendo de seus especiais e privilegiados amigos a grande homenagem por ter criado “El Sistema”. O BRAVO da coluna.

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Tags: Critica, concerto, dudamel

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