Jornal do Brasil

Segunda-feira, 23 de Julho de 2018 Fundado em 1891

País - Sociedade Aberta

'JB', um jornal relevante

Jornal do Brasil Reinaldo Paes Barreto

Pioneiro e inteligente: foi o primeiro jornal carioca a compreender o movimento de redefinição da Cidade, traçado pela visão do prefeito Pereira Passos, e construiu a sua nova sede, em 1908,  no endereço mais visível da recém-inaugurada Avenida Central, por sua vez a artéria de maior densidade cultural do país naquele período. Era o mais moderno edifício da América Latina, no quarteirão nobre da “artéria que vai de mar a mar”!

Além disso, foi o primeiro periódico a criar conteúdos nunca dantes editados:

- uma coluna de música

- uma seção sobre teatro e cinema

- uma coluna sobre Carnaval (coma letra das marchinhas)

- a primeira seção para histórias em quadrinhos

- a primeira coluna sobre turfe

- o primeiro Salão Nacional de Humoristas, em 1916, no Liceu de Artes e Ofícios do Rio.

- e a primeira seção feminina

Nessa linha foi, talvez, o primeiro jornal do mundo em que uma mulher sentou-se como profissional na redação de um jornal. Ano: 1893.  Essa jornalista chamava-se Clotilde Doyle e assinava a coluna “mundo feminino” com o pseudônimo de Branca. Dava conselhos para a vida cotidiana. Sessenta anos depois, também pela primeira vez no mundo da imprensa, outra mulher, Maurina Dunshee de Abranches – a Condessa Pereira Carneiro – foi presidente e dirigente de um jornal durante 30 anos (1953-1983).

Poderosa, ciosa de sua autoridade, católica praticante, era uma pequena “chefe de estado” no mundo político brasileiro.

Condessa à frente do JORNAL DO BRASIL

Por conta disso, provavelmente, desde os anos 60 a redação do JB era um planeta de mulheres – bonitas.  E embora a Condessa não atuasse diretamente na administração, ela estava a par de tudo e apoiava fortemente esse desafio de transformar o JB em um formador de quadros femininos.

E essas profissionais não gozavam de nenhuma regalia pelo fato de serem mulheres: ao contrário, recebiam missões como ir aos aeroportos de madrugada receber e entrevistar personalidade de interesse e, na sequência, cobrir crimes e situações de conflito: quebra-quebras, greves, etc.

Esta fase dos 60 foi a mais intensa. São contratados grandes repórteres; abrem-se colunas para intelectuais escreveram de forma permanente; monta-se uma rede de correspondentes internacionais; os editores-chefes gozam de autonomia e prestígio junto à direção; cria-se um departamento de pesquisa, outro de edição fotográfica e, enfim, inicia-se a mais abrangente reforma gráfica até então praticada por um jornal brasileiro.

Em 1973 transfere a sua sede para a Av Brasil 500. Em 2002 volta para o mesmo endereço na agora Av. Rio Branco 110. Em 2005 se muda para o belo casarão que abrigou o primeiro bispo do Rio de Janeiro (donde o nome original, Casa do Bispo, rebatizada de Casa Brasil) na Av Paulo de Frontin, 568. E 2015 volta para a Av.Rio Branco, agora no n’ 53. 

O uso da marca é comprado, em 2001 para o controle administrativo do empresário Nelson Tanure. E agora, em 2018, volta à versão impressa (abandonada em 2010) e a um relançamento estratégico sob o comando do empresário Omar Peres que o adquire.

O JORNAL DO BRASIL volta, assim, às bancas e entregas por assinatura no seu formato universal. Mantendo o seu compromisso editorial de encurtar a distância entre a notícia e o leitor, sem a alta voltagem das manchetes espetaculares  -- ou das tão em moda “fake news”. 

Mas para continuar e cada vez mais relevante e continuar a merecer a preferência dos seus leitores e anunciantes – como ao longo desses 127 anos – precisa continuar contando com o apoio de ambos. Bem como com a dedicação e criatividade dos profissionais – homens e mulheres -- que, na redação, no comercial e na administração se juntam à comunidade de formadores de opinião do Rio de Janeiro para saudar a volta desse marco da imprensa sul americana.

* Reinaldo Paes Barreto, ex-diretor do Jornal do Brasil (2002-2012), Blogueiro de Vinho & Coisa e Tal da versão online



Tags: aberta, artigo, jb, reinaldo, sociedade

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