Jornal do Brasil

Sexta-feira, 25 de Maio de 2018 Fundado em 1891

País - Sociedade Aberta

Agora, sem máquina e mais emprego

Jornal do Brasil Paulo Henrique Amorim

Manuel Francisco do Nascimento Brito teve três oportunidades de montar uma Rede de Televisão, de JK a Figueiredo. 

Jogou as três fora.

 Por incompetência e inapetência. 

Como cheguei a dizer: ele não era “dono de jornal”, atividade que dispensava ser empresário e empreendedor. 

Ser “dono de jornal” signifi cava ter poder político e glamour. E isso lhe bastava. E não era pouco… 

(Eu estava na sala, numa reunião de “primeira página”, no início da noite, quando Delfim Netto ligou para o editor-chefe Walter Fontoura para avisar que tinha acabado de desvalorizar a moeda...) 

Brito deveria ter ido ao CADE, Conselho de Defesa Econômica para denunciar o massacre que passou a sofrer com a publicidade maciça do jornal O Globo na Rede Globo. 

Mas, não foi, porque era arrogante e não se rebaixaria a demonstrar que o odiado rival estava para destruí-lo. 

Quando o JB fechou não era mais o melhor jornal do Brasil. Culpa mais do Brito do que do Roberto Marinho. 

Luiz Mario Gazzaneo era o chefe de reportagem e recebeu no transatlântico da Avenida Brasil 500 um amigo comunista italiano. 

Foram a andar por andar, visitaram a rotativa americana – último modelo de uma linha logo após desativada … - e, ao deixar o prédio monumental, perguntou ao Gazza: - Quantos jornais saem daqui, por dia. - Um. 

- Quantos exemplares roda ? 

- 120 mil, 150 mil durante a semana; 200 mil aos domingos.

 - Melhor procurar emprego, Luigi... 

Quando o melhor jornal do Brasil fechou, uma parcela signifi cativa da Capital da República, ainda hoje, o Rio, perdeu um interlocutor valioso. 

O jornal era conservador na linha editorial. 

Mas, era plural, ou mais poroso que O Globo. Mais aberto, com traços de Drummond e Alceu Amoroso Lima. Sem falar de seu editor-chefe Janio de Freitas, cuja infl uencia lá perdurou por muito tempo.

 Quando fui ser Editor de Economia, o lendário Secretário José Silveira me advertiu, no dia da chegada. - Na Economia, até o contínuo é gordo. 

Walter Fontoura me tinha dito para fazer uma limpeza. O sub-editor de “Indústria” era relações públicas da Shell… 

O sub-editor de “Bolsa” trabalhava na Bolsa e a Bolsa do Rio só subia, porque não caía. Quando caía “oscilava”… 

Quem me jogou uma boia de salvamento foi o sub-editor de Finanças, Gilberto Menezes Côrtes. Que se tornou meu dedicado, eficiente e labor-maníaco colaborador - e, depois, Editor de Economia. 

Agora, Gilberto vai dirigir a redação do JB do Catito. O Rio merece!



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