Jornal do Brasil

Sábado, 18 de Agosto de 2018 Fundado em 1891

País - Sociedade Aberta

Pequenas omissões, grandes perigos

Jornal do Brasil Celso Franco

Com a experiência adquirida em mais de dez anos  de consultoria para companhias de seguro, com o propósito de definir  a culpabilidade dos sinistros, aliada à experiência adquirida na presidência de uma Jari, no Detran, não me deixam dúvidas quanto à total ignorância do Código de Trânsito, principalmente no que diz respeito à prioridade. A mais comezinha, respeitada até no mar, dá prioridade, em cruzamentos não sinalizados, para o veículo que vem pela direita. Foi talvez a maior diferença, no que se refere à segurança, que senti quando residente na Holanda e passei a lá dirigir. Posso testemunhar que é uma tranquilidade o respeito a esta regra internacional, que o nosso Código de Trânsito pune o seu desrespeito, como infração GRAVE.

Esta ignorância é, sem dúvida, o fator principal para a não obediência à prioridade de quem está circulando numa rótula, ou numa via em que a transversal possui o sinal gráfico, normalmente vertical e horizontal, de “dê a preferência”. Seria necessário a autoridade responsável pela segurança da circulação de se socorrer dos recursos do “traffic calming” colocando redutores de velocidade, para que os apressados acordem para o cumprimento da lei. Esta é a primeira omissão a ser constatada.

A segunda, bem mais grave, é  a total desobediência à placa de PARE, também colocada em sinalização vertical e pintada no solo, cuja obrigatoriedade de parada total jamais é obedecida, causando grande perigo principalmente quando em vias que desemboquem em rótulas. O Código de Trânsito, grande desconhecido, pune a sua desobediência como infração GRAVÍSSIMA. Como dizem os ingleses: “Pare significa parada total, não meia trava”. Seria necessária a colocação de uma redutor capaz de obrigar o tráfego a parar para ultrapassa-lo, com conforto, a fim de que o motorista respeite o sinal de PARE colocado antes do sinal escrito no solo, por razões obvias a saber: o sinal de PARE, normalmente, é colocado em vias secundárias, quando no encontro com a via principal, sendo que o tráfego desta não preenche as exigências para a instalação de um semáforo. Assim sendo, quando existe após a parada obrigatória a oportunidade segura de cruzá-la, deverá ser feito o mais rápido possível. Infelizmente, ainda existem sinalizações em que não obedecem a esta regra elementar.

A terceira, e última por ora, é o desrespeito ao limite de estacionamento, quando permitido terminar a cinco metros de distância do bordo do alinhamento da via transversal, a fim de que o motorista tenha visão total da via em que vai penetrar ou cruzar. O Código de Trânsito pune o seu desrespeito como infração MÉDIA. Em quase quatro anos presidindo uma Junta Administrativa de Recursos de Infrações, Jari, nunca vi alguma infração punida por desobediência a este artigo. Na Holanda, já no final da década de 50, em cada esquina, de qualquer cidade havia uma marca indicando o limite dos cinco metros a ser obedecido.

Como veem, meus caros leitores, são de fato pequenas omissões, dentre tantas outras bem maiores, que os nossos responsáveis pela segurança no trânsito urbano comprometem, de muito, a paz que o Detran, em cartaz na sua entrada, na rua da Conceição, almeja e incentiva.



Tags: artigo, celso, franco, jb, trânsito

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