Jornal do Brasil

Sábado, 20 de Janeiro de 2018 Fundado em 1891

País - Sociedade Aberta

Incrível desconhecimento

Jornal do BrasilCelso Franco

Fui surpreendido ao ver no noticiário televisivo que o DNIT (Departamento Nacional  de Infraestrutura de Transportes) anunciava a suspensão da fiscalização por radar das rodovias, quanto ao respeito aos limites de velocidade, por fim do contrato da então concessionária e a não renovação, ainda, de uma nova.

Surpreso pela divulgação do fato, uma vez que, com este procedimento, o DNIT liberou geral o desrespeito dos motoristas, tornado muito maior o risco de acidentes, e deixando a Policia Rodoviária Federal ‘sem pai nem mãe’. O seu efeito maléfico já se fará sentir neste feriadão do Natal.

Por que faço este comentário? Para mais uma vez lamentar a falta da filosofia na administração do trânsito no Brasil. Em primeiro lugar, no continente europeu, nunca vi instalações de radar fixo nas rodovias. Tem sim controle por câmeras de TV. O controle da velocidade é por radar móvel, acompanhado, após o seu ponto de fiscalização, por uma patrulha que, informada da infração registrada, para e autua o infrator, prometendo-lhe enviar a foto da infração. Indefensável.

Quando estagiei em Israel, fato que mereceu eu ter sido submetido a um inquérito no Dops a fim de explicar a origem do pagamento de minha viagem, respondido por oficio pelo embaixador de Israel, provocado por uma administração antissemita na Secretaria de Segurança, lá me foi mostrado que utilizavam os pontos fixos de radar, e  lá existiam nas poucas estradas como um fator principalmente de deterrência, nunca de arrecadação, cientes de que alta arrecadação de multas traduz uma administração falha. Afinal, a fiscalização do trânsito deve ser preventiva. 

Usavam uma quantidade enorme de pontos de instalação de caixas, em postes, onde deveriam estar instalados, em seu interior, radares fotográficos. Havia apenas um porém: poucas tinham radares instalados, e os poucos existentes eram usados em diversos locais por rodízio. Medida inteligente e econômica, dentro do critério de que o importante é obrigar o cumprimento da lei, nunca a arrecadação.

Na Inglaterra, nas estradas na área urbana, onde existe o sinal por placa limitando a velocidade, existe cem metros depois o aviso “Lembre-se a velocidade limite é de X km/h”. Somente após este alerta, poderá haver a fiscalização eletrônica.

O que agora ocorreu nas nossas estradas assassinas é imperdoável quanto ao despreparo de lidar com a segurança rodoviária, sem existir uma orientação técnica, construtiva, capaz de domar um trânsito selvagem e com seus motoristas mal condicionados. Aos motoristas se lhes dá uma sinalização semafórica urbana que incentiva a correria, que os fará se acidentarem nas rodovias, face à desobediência aos seus limites de velocidade, agora totalmente liberado, graças ao anúncio infeliz, incrivelmente, plenamente divulgado.

Com este infeliz aviso, o DNIT perdeu a oportunidade de utilizar a tática israelense e, se  possível, prosseguir nela, economizando dinheiro e, principalmente, poupando vidas.

Como diz o ditado popular, “em certas ocasiões, se o falar é de prata, o calar é de ouro”.

Tags: artigo, celso, franco, jb, trânsito

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