Jornal do Brasil

Quinta-feira, 18 de Janeiro de 2018 Fundado em 1891

País - Sociedade Aberta

Polícia de trânsito armada?

Jornal do BrasilCelso Franco

Li assustado, mas não surpreso, a notícia na mídia de que, atendendo a projeto de um deputado ou  vereador, não sei, pretendem armar, com armas letais, o escasso policiamento de trânsito do  Rio, como medida para  aumentar a segurança falida de nossa cidade. Digo não surpreso, habituado que estou durante estes quase 50 anos em que colaboro com o JB,das inúmeras novidades, em sua maioria tolas e eleitoreiras, oriundas do Poder Legislativo Municipal  e Estadual sobre o assunto, justificando a minha frase quando, em 1967, meses depois de assumir o Detran GB: “O grande mal é que é muito difícil se administrar o trânsito com a política mas, desgraçadamente, é muito fácil fazer política com ele.”

Não tenho certeza, já tanto tempo faz, quando a mim cabia civilizar um trânsito atrasado e selvagem existente no extinto Estado da Guanabara, de que o meu policiamento, exercido de maneira eficaz pela Polícia Militar, mas devendo quanto à apresentação de seus integrantes, no que concerne ao apuro de uniformes e de postura marcial nos seus gestos de orientação, portasse armas. Tenho como preciosa recordação uma foto de um policial, no cruzamento da avenida Nilo Peçanha e Avenida Rio Branco, postado no meio da pista desta última, orientando com um gesto impecavelmente marcial o tráfego local. Fardado de uniforme cinza da corporação, composta de federais optantes de se tornarem de federais, da antiga Capital, em estaduais do novo Estado, com capacete branco, gargantilha também branca, luvas brancas e talabarte branco, além dos cordões de suas botas, da mesma cor. Assim estava trajado, graças ao apoio que sempre tive do almirante Fuzileiro Naval, Heitor Lopes de Souza, Comandante Geral desta briosa corporação, que os havia treinado, cujos soldados davam o exemplo de como se dirige o trânsito, em frente e nas imediações do antigo Ministério da Marinha. Entendiam os fuzileiros, e eu também, que a autoridade do orientador do trânsito se impõe, como no Primeiro Mundo, de sua postura e comportamento. A sua arma “letal” é a sua apresentação, o seu comportamento, o seu apito, usado com moderação, as suas luvas e o seu bloco de multas, guardado no seu receptáculo preso ao seu cinto, também de cor branca.

E hoje o que aqui temos? Os orientadores de trânsito são civis, pertencem a uma empresa civil (!!!) terceirizada, contratada para o serviço, sem direito a multar e trajados como se fossem funcionários de limpeza urbana. Quanto à postura, sem comentários. Já vi até orientador, em serviço no seu posto, fumando. Ignoram os doutos legisladores que uma das coisas que mais chama a atenção do turista é o policiamento de trânsito.

Quanto à segurança, cabe à policia fazê-la, a exemplo da cidade de Mendelin, que deixou de se tornar o paraíso do tráfico, como o Rio agora está se tornando, em uma cidade exemplar, graças ao desempenho de sua policia e da dureza das leis. Não creio que, nem lá, tenham armado os orientadores de trânsito.

Por amor à nossa cidade, desistam desta medida inócua e pouco inteligente.

Tags: aberta, celso, franco, sociedade, texto

Compartilhe: