Jornal do Brasil

Sexta-feira, 20 de Outubro de 2017

País - Sociedade Aberta

Bom senso e coragem, condições imprescindíveis

Jornal do BrasilCelso Franco

O atual presidente do Detran, escolhido para o cargo, creio eu, por suas qualidades de administrador da coisa pública e não por ser conhecedor dos meandros do trânsito urbano, tem até agora demonstrado alta sensibilidade para melhorar o que lhe parece errado ou deficiente na administração do trânsito, no que concerne à segurança do carro e do motorista, além do julgamento das infrações, em sua maioria aplicadas pela Prefeitura.

Acaba, segundo noticiado na mídia, de terminar com a pouco inteligente obrigação da vistoria em carros com menos de cinco anos de vida. Com esta medida, dá uma demonstração de apurado bom senso, uma vez que as condições em que se faz a vistoria do nosso Estado são ridículas. Na Alemanha, por exemplo, é realizada por empresa terceirizada, utilizando equipamentos especializados, de fabricação da Bosch, contendo dezenove itens inspecionados e aferidos. É um verdadeiro check-up, recebendo o motorista uma série de certificados que provam o estado de seu veículo.Também lá os veículos novos não precisam de cumprir esta obrigatoriedade. Afinal alguns fabricantes dão, para seus veículos, uma garantia de cinco anos. Tentei fazer o mesmo no Brasil, aproveitando que a fábrica da Bosh, instalada em Campinas, possui todos os equipamentos para, também aqui, se montar os “Diagnose Centrum”. Seriam, por uma questão de segurança, contra a fraude, inerente a alguns servidores públicos, entregues à responsabilidade das companhias de seguros. Infelizmente, foi uma batalha perdidas, dentre muitas que travei, no afã de civilizar o nosso trânsito selvagem.

Como especialista e decano, dentre os especialistas em trânsito urbano, cumpre-me alertar o digno Presidente do Detran-RJ de que existe um importante item de segurança, talvez o de maior importância, cuja garantia de eficácia não deve ultrapassar os três anos de uso. São os pneus, haja vista o atual dilema das equipes de Fórmula 1, da Ferrari e da Mercedes, sobre que fabricante de pneu para seus carros adotar, em face da diferença de comportamento em função do aquecimento natural e importante, durante uma corrida, no que se refere à aderência. Talvez, quem sabe, a apresentação de um atestado de bom estado de conservação, principalmente da profundidade das ranhuras, apresentado, oriundo de lojas vendedoras do produto, devidamente credenciadas pelo Detran, fosse a solução para aperfeiçoar a inteligente e humana medida tomada pelo Presidente Farah.

Outra noticia importante foi a excelente reportagem, na grande mídia, sobre a quantidade da nossa frota de veículos circulante no Estado, sete milhões (!!) a razão de 820 veículos /dia. Na nossa cidade a frota já passa de três milhões, sendo portanto lógica e legítima a minha previsão de que a implantação do sistema UVR, Utilização Racionada das Vias, com a “taxa de uso racionado da via”, estará gerando recursos capazes de tornar gratuito o transporte público, sobre pneus, além de solucionar a mobilidade urbana, na medida em que elimina o desperdício, nas horas de pico, do uso do espaço viário urbano, com o automóvel de passeio transportando apenas o seu motorista.

Sua adoção não é fácil. Inclusive sendo evitada a minha presença pessoalmente, com os responsáveis, em audiência, dever deles, como funcionários públicos, de atender ao interesse público, pelo simples fato de faltar-lhes bom senso e, principalmente, coragem política ou cívica, em adota-lo, condição imprescindível para exercer uma função pública.

Tags: aberta, celso, franco, sociedade, texto

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