Jornal do Brasil

Domingo, 19 de Novembro de 2017

País - Sociedade Aberta

Atropelamento de ciclista, engavetamento e redução da passagem

Jornal do BrasilCelso Franco

Os que me honram com sua leitura, desde 1968, sabem que baseio o que escrevo, normalmente , nos fatos que ocorreram na semana anterior. Nem sempre isto é possível, face a ausência de assunto, o que é bom para todos, menos para mim. Esta semana foi pródiga  e variada. Então vamos aos fatos.

Começando pelo atropelamento de um ciclista, vítima da falta de atenção de um motorista que tinha a carteira de habilitação suspensa e o carro com vistoria atrasada. Apesar de todas estas irregularidades, sendo o seu número de pontos perdidos escandaloso, não podemos considerar homicídio doloso, aquele em que se tem a intenção de matar, pelo fato muito conhecido de que “o pedestre que o motorista atropela é aquele que ele não viu”. Aliás, considero uma temeridade pedalar-se em vias sem ser em ciclovia. Não temos cultura para conviverem veículos com os ciclistas  no mesmo espaço viário. Afinal, não estamos na Holanda ou Dinamarca...

Em seguida, o terrível desastre ocorrido na rodovia paulista “Carvalho Pinto”, fruto da irresponsabilidade ou estado etílico ou drogado de um motorista de uma carreta que, apesar da falta de visibilidade, fruto da presença de fumaça espessa, não diminuiu a velocidade, ali tolerada a máxima em até 120 km. Não tenho conhecimento dos detalhes para censurar a falta de presença do policial rodoviário, preventivamente, avisando do risco existente na via e a obrigatoriedade de dirigir em baixa velocidade e alerta total. Nas excelentes estradas alemãs, onde existe a possibilidade de ocorrer forte nevoeiro ou da existência de congestionamento, por ele provocado, existe um sinalização luminosa que indica, nestes casos, a existência destes perigos, com  a imediata redução do limite de velocidade. O zelo e o cuidado com a vida humana são apanágios dos países desenvolvidos, contrastando com os ditos em desenvolvimento, em cuja categoria nos encontramos e estaremos por um longo tempo.

Outro assunto é a disputa ridícula sobre o valor da tarifa cobrada no transporte por ônibus, cuja direção carece de profunda modificação, por uns míseros vinte centavos. Sobre esta problema, muito me irrita o não reconhecimento da necessidade urgente da implantação do Sistema de Uso Racionado das Vias, o URV, que irá gerar o transporte público, neste modal, absolutamente gratuito e seguro.

Sobre este tema, finalmente, espero poder levá-lo à avaliação, da cúpula da CET Rio, a fim de que obtenha um consenso em torno o assunto, condição imprescindível para levá-lo à sanção do secretário de Transportes. Como dizem os espanhóis: “A ver...”

Finalmente, a análise do tão esperado conclave, levado a efeito pela grande mídia, como pomposo título :”Reage Rio”, tendo como um dos painéis o tema: “Mobilidade Urbana”, classificado por mim, no artigo anterior como : “Enxugação de gelo” e que, infelizmente seus resultados me dão razão.

Senão, vejamos: Compareceram competentes autoridades dos setores envolvidos no que classificaram o painel de: ”Mobilidade Urbana”, a saber, o diretor executivo da Câmara Metropolitana, o presidente do Metrô e, o professor da Coppe, no programa de engenharia de  transportes, Paulo Cesar Ribeiro, a meu ver, este o único a conhecer objetivamente o problema a ser debatido.

Para começar no resumo da matéria tratada na reunião, não vi nenhuma referência ao atual valor do rendimento da mobilidade urbana existente no Rio. Os doutos Diretor e Presidente dos órgãos importantes, já citados, não se deram conta nas suas propostas, da exigência de soluções imediatas, para uma cidade que emplaca cinco mil veículos por mês, numa demonstração de teoria explicita. Outrossim, não se pode recomentar , a esta altura “do jogo”,  reorganização do “uso da terra”, face da demora de sua conclusão, em face da urgência de solução de um problema que apresenta um resultado ridículo de rendimento, 20% no máximo, diariamente, nos picos matutinos. Como antecipei, somente poderia não ter a oportunidade da não ser “inocentemente teórico”, o professo Paulo Cesar, quando, em apenas duas linhas, lhe comentaram a intervenção onde citou a Engenharia de Tráfego (a ciência esquecida) e a atualização do controle semafórico, obsoleto de tempo fixo (sinal burro) com o qual hoje convivemos, como soluções imediatas, de curto prazo..

Resumindo quanto à elogiável iniciativa da grande mídia, pecou ao convidar e dar maior ênfase a pessoas que se enquadram no que sempre repito, apoiado em meio século de “janela”, no assunto, com uma vasta folha de ação executiva  no Rio e em São Paulo: “Não me preocupam os que não enxergam a solução e sim os que não enxergam o problema e, por via de consequência, não acham a solução”. 

Tags: aberta, celso, franco, sociedade, texto

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