Jornal do Brasil

Domingo, 19 de Novembro de 2017

País - Sociedade Aberta

Precisamos nos indignar mais 

Jornal do BrasilJandira Feghali

No “bolsão de apostas” do Governo, acabar com a Reserva Nacional do Cobre e Associados (Renca), que fica entre o Pará e o Amapá, no Norte do Brasil, foi a proposta mais contundente desde a chegada do ilegítimo à cadeira da presidência da República. A vontade de entregar à exploração massiva 4 milhões de hectares de florestas, um território maior que a Dinamarca, fez  com que a sociedade reagisse à altura, com expressiva participação de artistas, diversos outros formadores de opinião, partidos, nas redes e nas ruas para mobilizar instituições judiciais. 

Foi o que ocorreu com o juiz da 21ª Vara Federal, de Brasília, que suspendeu o decreto 9.142 com liminar parcial sobre uma ação popular. A verdade é que com essa vitória, Temer foi à lona e ampliou sua repulsa em diversos setores da população. 

Não é coincidência que, completado um ano de consolidação da ruptura democrática, a agenda privatista de Temer tenha despertado tamanho ódio no povo. Com popularidade próxima de zero e denúncias surgindo a todo momento sobre conduta antirrepublicana e corrupção, Temer é um cadáver no poder governando num balcão de negócios, isentando grandes empresários e banqueiros, para se safar da degola.

Também nesta semana, os partidos de oposição obstruíram a votação da sessão do Congresso Nacional e tiveram vitória importante para impedir o aumento do déficit fiscal do Governo de R$ 129 para R$ 159 bilhões. Numa sessão levada até a madrugada pela obstrução oposicionista, deputados e senadores da base aliada ausentaram-se e não garantiram a conclusão da votação nem defenderam a meta fiscal de Temer. Alguns tiveram que “ser arrastados” até o Parlamento após já estarem de pijama em suas casas. O presidente zumbi fora derrotado mais uma vez.

Ampliar o rombo no país e vende-lo a preço de banana é uma vergonha mundial. A mesma mobilização que coube à sociedade para impedir a extinção da Renca por Temer, também deve ser feita contra a continuidade de seu governo. É preciso a mesma mobilização para o restante da encomenda maldita que corre na esteira neoliberal: a venda da Casa da Moeda, de estatais estratégicas como a Eletrobras e a Petrobras, além de terras brasileiras, e as mortais reformas que cortam direitos dos trabalhadores (trabalhista e previdenciária). 

Que a sociedade possa ter a mesma capacidade de indignação da extinção de parte da Amazônia com o projeto de desmonte do Estado brasileiro e seu patrimônio histórico. As consequências serão drásticas. O golpe é revelado diariamente, à luz do dia, como um mal a ser superado urgentemente. Assistir a isso tudo passivamente não é nossa prática. Que o povo vá às ruas e o Parlamento aspire o sentimento de revolta que toma conta deste país a cada denúncia, fazendo cumprir seu papel quando chegar a hora.

* Médica, deputada federal (PCdoB/RJ) e vice-líder da oposição

Tags: aberta, artigo, jandira, jb, sociedade, texto

Compartilhe: