Jornal do Brasil

Terça-feira, 27 de Junho de 2017

País - Sociedade Aberta

Já veio tarde

Celso Franco

O único fato digno de noticia a ser comentada no trânsito citadino, na semana que passou, foi felizmente uma boa novidade, embora atrasada pelo menos uns trinta anos.

Trata-se da autorização de táxis, com passageiros, trafegar nas faixas, até então exclusivas, para circulação dos BRTs. Tudo é uma questão de doutrina. Desde  ao menos trinta anos vi em Paria, a cidade que é exemplo máximo do emprego inteligente do princípio da engenharia de tráfego - “aproveitamento, ao máximo, das condições de tráfego do sistema viário existente” - demonstrado do seu genial sistema de circulação com vias de sentido único, os táxis considerados, quando com passageiros, transporte  público, circularem nas vias até então exclusivas para o ônibus. Nada mais lógico e justo, desde que a presença daqueles não acarrete prejuízo na circulação  destes últimos.

Pois foi o que aconteceu, em face da diminuição da capacidade de escoamento da Avenida Brasil, fruto da diminuição de faixas para as obras de implantação do BRT. Atorizaram, finalmente, aos táxis a circularem, espero eu, somente com passageiros num trecho de acesso ao Aeroporto Tom Jobim, nas pista, até então exclusivas para o BRT.

Na falta de coragem de cercear a circulação de caminhões (cerca de 30% do volume de tráfego circulante), até às 10 horas, diariamente, na dita avenida, facilitando a circulação dos carros de passeio e dos veículos leves de carga, seria, também, uma das soluções lógicas, adotada por mim, durante as minhas gestões no Detran, a atual medida tráz alivio à aflição de quem deseje pegar um voo. A retirada dos caminhões nada mais é do que aplicar um simples e  fundamental princípio de hidráulica, quando preconiza que líquidos de densidades diferentes dificultam o escoamento do todo. Na administração do trânsito urbano temos o dever de não respeitar  o “jus esperniandis”, segundo recomenda em seu livro de memórias, a “História de um homem com um olho verde e outro vermelho”, o legendário diretor de trânsito de  New York, durante oito anos, Henry Barnes. Nos trechos onde a circulação dos táxis não irá prejudicar a dos BRTs, eles devem ser autorizados.

No mais, procede a luta inglória da Secretaria Municipal de Transportes contra a “Rio ônibus”, com o risco de um “lock out”, que, como sempre, o grande prejudicado serão os seus usuários.

Não se esqueçam, na administração pública, quando a polêmica precisa da intervenção da justiça, nem sempre justa, “é melhor um mau acordo do que uma boa briga’, diz a sabedoria popular.

Tags: aberta, celso, franco, sociedade, texto

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