Jornal do Brasil

Terça-feira, 27 de Junho de 2017

País - Sociedade Aberta

Fim da gincana urbana?

Celso Franco

Fica difícil para minha geração, que viveu a sua juventude em plena Segunda Guerra Mundial, quando sua maioria escolhia, por patriotismo, a carreira militar, viver os tempos atuais, quando os escândalos, de roubo e desonestidade infestam a classe política a quem cabe dirigir o futuro da Pátria, sem falar nada, tendo espaço na mídia.

É o meu caso que, por ter tido pai ilustre, Ministro do Supremo Tribunal Federal, vivendo na cúpula de República, vivenciando todas as crises dos anos 40, 50 e início de 60, ficar calado.

Limito-me, por uma questão de disciplina ética, a me refugiar no mundo dos fatos que ocorrem no trânsito urbano. Os comentários que poderia emitir, com embasamento mais do que suficientes, fruto de meu passado atuante no mundo da política e do que leio e estudo constantemente sobre a história deste período, o faço pela Internet, entre amigos que ainda tenho e que ocuparam ou ainda ocupam elevados cargos em vários setores da vida nacional.

Feita esta introdução necessária, até como profilaxia, contra ataque cardíaco, vamos ao tema desta coluna, de quase meio século, o trânsito urbano. Graças aos escândalos vigentes, a mídia pouco divulga sobre o que ocorre no trânsito. Entretanto, dois assuntos vieram a público pela grande mídia, inclusiva televisiva, a saber: A possibilidade de acréscimo de uma faixa de rolamento na avenida das Américas e a “operação de tapar buracos”, que me inspirou o título do artigo desta semana.

A primeira, que me assustou, uma vez que, apenas se alterando o sistema de controle semafórico atual e a velocidade máxima, na avenida citada, se consegue um aumento de velocidade, bem maior do que a intervenção física com o aumento de uma faixa de rolamento. Felizmente, foi desmentida pelo diretor de engenharia da CET, que me explicou que era apenas a sua intenção, correta aliás, de criar “bainhas” nas paradas de ônibus, nas pistas laterais da dita avenida, com o propósito de aumentar a sua capacidade de escoamento. A noticia divulgada era um mal entendido do repórter que a divulgou, fruto do evidente despreparo do setor de imprensa, em qualquer das mídias, de noticiar corretamente, sobre o que ocorre no trânsito. 

Como ensina o livro texto sobre Liderança, da Academia Naval de Anápolis, da Marinha americana: “A  crítica ou a notícia destrutiva está ao alcance de qualquer neófito e, a sua maioria, jamais perde a sua chance”. Foi por conhecer este conselho que, durante a minha gestão no Detran GB, em 1967, criei um curso facultativo para os jornalistas e repórteres que cobriam a nossa atividade, sobre engenharia de tráfego, a fim de nos criticarem com conhecimento de causa. Foi um sucesso: Um autêntico “cachimbo da paz”. 

O segundo anúncio é muito bem vindo, de tapar a imensa quantidade de buracos nas nossa vias asfaltadas, capazes de danificar, como ocorreu comigo, a suspensão do automóvel. Na época, possuía um carro importado, americano, que, após cinco anos rodando somente no asfalto, tive de trocar toda suspensão dianteira. Não se esqueçam, também, de nivelar ou, ao menos, pintar de amarelo os bueiros existentes nas pistas, responsáveis, também, pelos danos às suspensões dianteiras dos automóveis.

É primordial a qualidade do asfalto utilizado, além da espessura da camada aplicada. Para que façam uma ideia de quão importante é a espessura, as autoestradas da Alemanha possuem um espessura da camada de concreto de 40 centímetros.

E, finalmente, um conselho, para não me enquadrarem na definição de Anápolis, estabeleçam, como fiz na minha gestão, um formulário a ser preenchido pelos motoristas de ônibus e de táxis, semanalmente enviados para a diretoria de engenharia, via seus sindicatos, das condições viárias totais, incluindo as condições da sinalização existente ou necessária. Assim procedendo, estarão pondo um ponto final na verdadeira “gincana urbana”, a qual somos submetidos ao termos que, constantemente, nos desviarmos destes obstáculos, fruto da falta de manutenção ou, quem sabe, da má qualidade do asfalto utilizado, em camadas de pouca espessura. 

Tags: Automóvel, JB, Trânsito, asfalto, celso franco, qualidade

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