Jornal do Brasil

Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017

País - Sociedade Aberta

Somos um time ou não?

Jornal do BrasilCelso Franco

Em artigo anterior eu enfocava o fato de que o bom  trânsito depende da competência do gerenciamento e o comportamento do motorista.O bom resultado é o somatório destas duas maneiras de agir. Por outro lado, Henry Barnes, o legendário Diretor de Trânsito da cidade de New York, por oito anos, autor do atual sistema de circulação da avenidas na Ilha de Manhattan, bem como a otimização do controle de seus semáforos, costumava dizer que: “É incompatível um eficiente Diretor de Trânsito, com o bom mocismo”. Eu, modestamente, quando assumi o DETRAN GB, em 1967, preferi repetir o grande Almirante Saldanha da Gama, quando recomendava, no trato com os  seus subordinados, em relação à disciplina: “Mão de ferro calçada com luva de pelica”. Ou seja, não existe a necessidade de ser grosseiro e, muito menos “jogar sujo”, criando armadilhas para punir. O Código de Trânsito deveria ser muito mais educacional do que punitivo e, eu diria, arrecadador, como definidor de regras para condicionar o motorista, este “primata”. Citando impropriedades, fáceis de identificar, quando se é ‘calejado’ em estudar a “ciência do controle do trânsito”:

1)A maneira de se aplicar a Lei Seca quer quanto a tolerância zero, ou quanto a maneira de se verificar a influência do álcool, no comportamento, sem se efetuar nenhuma verificação prática, criando verdadeira “ditadura do bafômetro”,é uma aberração.Também, com uma multa de quase 3 mil reais,vocês esperavam  o que?

2) A omissão de se usar a multa no sentido de disciplinar, dando a oportunidade, ao infrator, de te-la anulada, com um período de absoluto bom comportamento, sem nenhuma infração, não disciplina ninguém.

3) A obrigatoriedade de ser a placa do carro, propriedade do seu dono, sendo desemplacado na ocasião de mudança de dono, evitando assim a enorme quantidade  de multas ao antigo dono, face a não transferência do novo proprietário e a falta de atenção do antigo dono. É usual, quando se trata de vender o carro a um revendedor, se deixar em branco, o nome do futuro comprador.

4) É inaceitável, não se enfatizar uma área de proibição, que se siga a uma área, de permissão de estacionamento.Exemplificando: Junto á estação do metrô no Jardim Oceânico, existem , é claro, uma quantidade imensa de carros estacionados, fruto da preferência de seus donos pelo metrô. Pois bem, na Avenida Fernando de Matos, onde o espaço é praticamente tomado, ao longo do meio fio, por veículos estacionados, existe, um trecho,a meu ver, exagerado, onde se proibiu o estacionamento, a fim se permitir mais agilidade no escoamento, do semáforo na chegada da Praça do Bosque da Barra.Não se preocuparam em pintar o meio fio e o solo, do espaço proibido, com tinta  amarela, a fim alertar ao usuário, a mudança de regra.

Pior ainda, presenciei, outro dia, um guarda municipal multando aqueles que, desavisados, ali pararam.É isto que chamo de “jogo sujo”. Inaceitável, Se se deseja fazer uma parceria: Gerenciamento e Motorista, para se ter, como se propala: "A paz no trânsito", temos que mudar a maneira de se “jogar”.

Em outras palavras, enquanto não convencermos, ao motorista, que a sinalização, principalmente a proibitiva, existe para o bem de todos, não teremos nunca a equipe, ou o time, que se constituído e bem estruturado, se tornaria invencível. Infelizmente, no mundo, segundo pesquisas mundiais, o Rio está, como time, na zona dos que disputam a segunda ou terceira divisão. Que fazer? No futebol, se muda o técnico, como ocorreu faz pouco tempo, graças à mudança do Prefeito.

Tags: artigo, celso franco, motorista, regras, sistema, sociedade, sociedade aberta, trânsito

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