Jornal do Brasil

Domingo, 23 de Novembro de 2014

País - Sociedade Aberta

Trabalho ou equilíbrio?

Rosineia Oliveira dos Santos*

Humanizar os espaços organizacionais por meio da promoção do homem e do trabalho é questão primordial para esta e para próxima década. Para a professora e filósofa Marilena Chauí,  “os afetos travam combate em nós, que podem ser causa de servidão tanto quanto de liberdade, porque deles depende que nos deixemos ou não dominar pelo poderio de uma exterioridade adversa e contrária à nossa essência”.

Não é segredo pra ninguém que os paradigmas da modernidade lançaram na humanidade uma contemporaneidade, intitulada "pós-moderna", a qual obriga o homem a viver em um constante mal-estar, ou como expõe Bauman: “... essa ordem global que coletivamente subscreveu os esforços individuais pela vida (abrangente, coesa, coerente e contínua), e a identidade do indivíduo foi lançada como um projeto, que seria o seu projeto de vida”.

O fator crítico que emerge é o próprio questionamento do sentido do trabalho. Sem dúvida, o trabalho pode estar atrelado à necessidade de sobrevivência, pelo retorno financeiro que proporciona ao ser humano. Neste sentido, essa rotina se aproxima da labuta, de um fardo penoso, pela obrigação de se realizar tarefas em troca de dinheiro. Mas o trabalho também pode assumir o sentido de construção de vínculos, envolvendo cooperação, colaboração e interdependência. Ou seja, o ser humano, ao interagir com os colegas, pode trocar experiências e construir amizades.

O mundo do trabalho é fascinante, e é nele que o homem descobre todas as suas potencialidades e qualidades. Esse mundo remete o indivíduo a entrar em contato com o que há de mais humano em seu ser: sua capacidade de superação e de transmitir a outros de sua espécie o que aprendeu em uma geração, ou seja, um mundo fascinante e misterioso.

Toda instituição não é só um instrumento de controle social, mas também é um instrumento de regulação e equilíbrio da personalidade. Seu funcionamento se acha regulado não só pelas leis objetivas de sua própria realidade social mas também pelo que os seres humanos projetam nela.

 

Pensem!

 

* Rosineia Oliveira dos Santos, professora, é pós-graduanda em docência do ensino superior e especialista em psicologia organizacional. - olisanta@gmail.com

Tags: aberta, coluna, rosineia, Santos, Sociedade

Compartilhe:

Postar um comentário

Faça login ou assine para comentar.