Jornal do Brasil

Domingo, 21 de Dezembro de 2014

País - Sociedade Aberta

O capitalismo por um mundo melhor

Marcus Quintella*

O texto intitulado Capitalismo foi capturado na internet e aborda uma visão muito interessante de George Gilder, da Prager University (www.prageruniversity.com), sobre a forma pela qual o capitalismo pode criar um mundo melhor, por meio do empreendedorismo.

Curiosamente, a Prager University Foundation, situada nos Estados Unidos da América, não é uma universidade convencional mas uma fonte de recursos online que promove o conhecimento e a clareza de ideias, onde todos os cursos oferecidos são gratuitos. Originalmente, o referido texto encontra-se em inglês, e a tradução, feita por mim, está reproduzida a seguir, na íntegra:

“Ninguém contesta que todos os sistemas econômicos refletem a autopreocupação intrínseca dos seres humanos. Contudo, somente o capitalismo possui a capacidade de criar um grupo de pessoas, conhecidas como empreendedores, que não tem escolha diferente do que se preocupar com as necessidades e desejos dos outros. Esses outros são os seus clientes.

No entanto, poucos economistas realmente estudam o comportamento desses empreendedores, que, na prática, são os líderes criativos das empresas capitalistas. Se o fizessem, descobririam que os empreendedores, pela própria natureza de seu ofício, devem se esquivar da ganância.

Em primeiro lugar, e acima de tudo, atender as necessidades dos outros é o oposto da ganância. Em segundo lugar, a ganância, na esfera econômica, normalmente é expressa como o consumo imediato ou instantâneo de bens e serviços. Em outras palavras, trata-se da teoria do consumo desenfreado, sem preocupação com o coletivo. Todavia, os empreendedores devem começar pela poupança, que é definida como a renúncia do consumo para o atingimento dos objetivos de longo prazo. Frequentemente, são gastos meses, às vezes muitos anos, para que um novo produto ou serviço seja inserido no mercado.

Além disso, os empreendedores devem colaborar com os outros, especialmente na construção de equipes para alcançar os seus objetivos. Na concepção de seus produtos e serviços, eles não devem – mais uma vez – concentrar-se em suas próprias necessidades mas nas necessidades dos outros.

Dessa forma, aquilo que os empreendedores fazem quando buscam o lucro é muito mais que interesse pessoal. Preferivelmente, lucro é uma medida de quão bem uma empresa tem prestado bons serviços ao mercado. No âmbito do capitalismo, um negócio tem chance de sucesso se seus clientes voluntariamente negociam ou barganham por seus resultados.

O capitalismo, em sua essência, então, é uma competição de doações. Naturalmente, o interesse pessoal está envolvido, mas a genialidade do capitalismo, e somente do capitalismo, é que ele canaliza o interesse pessoal para o altruísmo. Os empreendedores podem somente ajudar-se a si próprios, pelo simples fato de ajudarem os outros.

Todos aqueles que começaram um negócio, e fizeram grandes sacrifícios para conseguir colocá-lo de pé, têm consciência do drama inicial: o mercado deseja mesmo aquilo que eu tenho a oferecer? Nenhum negócio tem garantia de sucesso, desde um imigrante que abre um salão de beleza até o Steve Jobs vendendo um computador Apple. Na prática, o mundo real é justamente o oposto.

Essas almas corajosas — os empreendedores que são o coração pulsante do capitalismo, que nos trazem os benefícios materiais contínuos que desfrutamos, desde caixas eletrônicos ATM até medicamentos para salvar vidas — devem ser admiradas, e não destruídas.

O altruísmo é a grande razão para a existência do capitalismo e o motivo pelo qual se mantém como a esperança da civilização”.

* Marcus Quintella é professor da Fundação Getulio Vargas. - marcusquintella@uol.com.brmvqc@uol.com.br

Tags: aberta, coluna, marcus, quintella, Sociedade

Compartilhe:

Postar um comentário

Faça login ou assine para comentar.