Jornal do Brasil

Quinta-feira, 18 de Dezembro de 2014

País - Sociedade Aberta

A situação da educação brasileira

Luiz Carlos Amorim* 

Recentemente, li o seguinte texto num post da internet: Essa lei que Vcs colocaram eu como um repórter e jornalista básico náo concordo eu trabalho com meu celular depois que saio da escola náo concordo mesmo quando fiquei sabendo passei isso pra imprensa maior eles falaram com representante do governador ele falo que aluno náo pode usa dentro da sala manter desligado mais proibi è um abuso isso eu como aluno e brasileiro náo aceito isso ta bom diretora náo aceito quem cria lei é governo na escola”.

 Tive que ler várias vezes, colocar os pontos e vírgulas e desconsiderar os erros de concordância e letras faltantes em algumas palavras para entender que ele estava protestando contra a proibição de celular em sala de aula. O autor do texto não vem ao caso, porque na verdade ele não tem toda a culpa da ignorância em expressar suas ideias na sua língua que é o português. Isso é culpa da nossa educação, do ensino que está sendo praticado com nossos jovens. O mais estarrecedor da situação é que este é um aluno do segundo grau. Sim, do segundo grau, não é dos primeiros anos do primeiro grau.

É quase comum – sempre esperei nunca ter de dizer isso – um aluno do terceiro ou quarto ano do primeiro grau não dominar a escrita ou a leitura, diante das modificações que fizeram no sistema de ensino brasileiro, nas últimas décadas, e diante da falta de consideração dos donos do poder para com a educação e para  com as nossas escolas, mas alunos do segundo grau já deveriam ter esse domínio. Segundo o texto que vimos acima, a pessoa que o escreveu não consegue nem ao menos comunicar um fato simples, que é a proibição do uso do celular na salada de aula, com o que ele não concorda.

É flagrante o despreparo do estudante, e não precisaríamos nem entrar no mérito da questão dele, que é a indignação por não poder levar o celular para a sala de aula. Mas há que se discutir, sim, o uso do celular, pois, para alguém que escreve tão mal, o celular pode desviar ainda mais a atenção do que está sendo ensinado, e a situação dele pode ficar ainda pior.

Precisamos prestar mais atenção ao aproveitamento de nossos filhos na escola e cobrar dos governantes melhoras na nossa educação. Melhores conteúdos programáticos, mais qualificação e salários decentes para nossos professores, manutenção assídua e equipamentos para as escolas públicas. Os programas de relacionamento, na internet, são boas amostras de como anda a instrução que estamos tendo em nosso país, pois lá as pessoas escrevem simplesmente como sabem. Ali, alguns de nossos jovens mostram, infelizmente, o pouco que estão aprendendo. Há que se tomar providências urgentes, sob pena de não aprendermos mais a nos comunicarmos.

* Luiz Carlos Amorim é escritor e editor. - Http://luizcarlosamorim.blogspot.com.br 

Tags: aberta, Carlos, coluna, luiz, Sociedade

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