Jornal do Brasil

Segunda-feira, 22 de Dezembro de 2014

País - Sociedade Aberta

O legado de dom Luciano Mendes de Almeida

Geraldo Trindade* 

Após oito anos de falecimento do arcebispo de Mariana dom Luciano Mendes de Almeida (morreu no dia 27/08/1996), pode-se ter uma noção dos aspectos de sua vida, que o torna apto a alcançar a honra dos altares e passar a ser apresentado pela Igreja Católica como exemplo de santidade e modelo de fé em Jesus Cristo. A Congregação para a Causa dos Santos autorizou a abertura do processo para a canonização em nível diocesano, que vai ocorrer no dia 27 de agosto. Dessa forma, dom Luciano passa a ser chamado Servo de Deus. Agora passa-se a analisar presumíveis milagres e ouvir as testemunhas.

Dom Luciano, nascido no Rio de Janeiro no dia 5 de outubro de 1930, foi o primeiro bispo jesuíta no Brasil. Viveu sua vida segundo seu lema Em nome de Jesus. Era arcebispo de Mariana quando faleceu, aos 75 anos de idade.  Exerceu funções de relevância, tais como participação em diversos sínodos em Roma, secretário geral (1979-1986)  e presidente (1987- 1994) da CNBB. Fez parte do Conselho Permanente desta entidade de 1987 até sua morte. Atuou na Pontifícia Comissão Justiça e Paz, do Conselho Episcopal Latino-Americano, e da Comissão Episcopal para a Superação da Miséria e da Fome.

Mas, o grande legado deste bispo é a caridade. Caridade que vem a ser a própria identidade de Deus, porque “Deus é amor” (1 Jo 4,16).  Dom Luciano era um servo dos humildes, dos pobres, dos simples e dos marginalizados. Ele fazia os pequenos gestos e palavras serem carregados de suma importância, capazes de gerar conforto, consolo e alívio. Quando foi eleito presidente da CNBB, lhe perguntaram como seria sua atuação. Dom Luciano, mais uma vez, demonstrou sua caridade, que provém de um coração próximo ao de Deus, capaz de sentir e ver a partir dos mais sofredores: “Peço a Deus atuar na conversão dos homens do egoísmo ao verdadeiro amor, sem conformismo e sem  a impaciência dos violentos, para que as estruturas de convivência humana correspondam cada vez mais à dignidade dos filhos de Deus. 

Sua presença discreta, e na maioria das vezes atrasada, era aguardada com ansiedade por todos, pois era Dom Luciano que estava vindo. Santos nos fazem esperar, pois não é qualquer dia que os encontramos vivos. Santos elevam nossos corações para Deus e os estendem aos irmãos. Santos nos mostram como Deus age e cuida daqueles que são malvistos e mal-amados. Santos nos arrancam de nosso comodismo e nos mostram uma lógica própria, pois é a lógica do amor misericordioso. Santos como dom Luciano não são simplesmente homens, mas uma imagem bonita de Deus, como uma vez monsenhor Júlio Lancelotti descreveu o arcebispo de Mariana.

 

* Geraldo Trindade é diácono na arquidiocese de Mariana. - http://pensarparalelo.blogspot.com

Tags: aberta, coluna, Geraldo, Sociedade, trindade

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