Jornal do Brasil

Sábado, 20 de Setembro de 2014

País - Sociedade Aberta

A história da computação da energia está apenas começando

André Brunetiere*

A primeira utilização de eletricidade em fábricas no início do século 20 colocou de lado os processos comerciais bem estabelecidos, as práticas padrões, as estratégias e o capital investido. A energia até então produzida in loco foi substituída pela eletricidade, e novas profissões e serviços despontaram, abrindo espaço para a produção criativa.O setor de computação vivencia um fenômeno similar, com a computação em nuvem, uma forma de “computar energia” disponível  na internet e provida por toda uma cadeia de produtores e transformadores. A computação em nuvem combina o consumo e a criatividade, sendo que o primeiro é o motor que move a sociedade moderna e tornou-se o foco do mundo da tecnologia da informação.

As companhias são intensamente influenciadas por essa nova tendência, e, em especial, empresas de pequeno e médio porte estão dispostas a se livrar de restrições técnicas, financeiras e operacionais na infraestrutura computacional. Elas não mais adquirem um software contábil, mas sim uma coletânea de serviços como relatórios de impostos, fatura eletrônica de localização ou declarações de contribuição social, cuja utilização pode ser incrementada com alguns cliques, devido à expansão da companhia ou abertura de sucursais estrangeiras.  Esta tendência deverá aumentar com a geração nascida na era da internet, smartphones e redes sociais que começam a assumir posições na diretoria das empresas. Para esses indivíduos, os recursos da computação residem na rede mundial, e o aspecto de possuir hardware ou software quase deixa de ser um fator determinante.

Esses indivíduos consomem serviços e recursos, e transformam custos fixos em variáveis, flexibilidade permitida pela computação em nuvem. Contudo, o apetite pelo consumo deve crescer com um certo grau de confiança: os fornecedores de energia da computação devem garantir o estoque confiável e a disponibilidade das informações essenciais, tolerância às falhas, segurança contra ataques maliciosos e rápida resposta.Atualmente, seja empregado ou gerente, um homo mobilis tem o mundo sob suas impressões digitais graças aos smartphones. Contudo, poucas empresas tornam seu software de gestão acessível aos empregados, para evitar danos às informações pelo manuseio de usuários mal treinados. O acesso negado às informações da empresa poderá cercear a responsabilidade, eficácia e criatividade dos empregados.

Além de possibilitar a criação de serviços customizados, que aliam padrões de software e uma variedade de aplicativos de funções muito específicas, a computação em nuvem permite desenvolver aplicativos móveis para cada perfil de trabalho, possibilitando que gerenciem seu próprio micro-ambiente. Um representante de vendas pode receber informações do portfólio de clientes sem ter acesso ao aplicativo do software da empresa. Um gerente poderá gerar indicadores de performance e  checar informações essenciais  pelo tablet ou smartphone. Um colaborador poderá antever um portal móvel para funcionários, ao mesmo tempo em que os demais colaboradores reportam gastos do negócio. A computação em nuvem pode transformar as empresas graças ao bimotor de consumo e criatividade. Mas, para chegarmos lá, as partes envolvidas no fornecimento das soluções criativas e consumíveis precisarão ir ao encontro das oportunidades à frente. A história da computação da energia está apenas começando...

*André Brunetiere é diretor técnico para Pequenos e Médios Negócios no Mercado Europeu do Grupo Sage.

Tags: . sociedade, aberta, andré, brunetiere, coluna

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