Jornal do Brasil

Quarta-feira, 26 de Novembro de 2014

País - Sociedade Aberta

Há espaço para violência?

Tarcisio Padilha Junior*

Nem todos os fins são elevados para justificar o uso de quaisquer meios. Daí que os governantes ajam em conformidade com as leis estabelecidas e sejam responsáveis pelas decisões que tomam. No entanto, a experiência da história nos mostra que o político pode se comportar de modo bem diverso.

Toda a história do pensamento político moderno parece resumir-se na busca de uma solução do problema moral em política. Hoje a conduta política que precisa ser justificada é a que não está conforme as regras, preferencialmente aquelas que possam ter sido estabelecidas pelos próprios políticos.

Trata-se então de saber se a atividade política é uma atividade com características tão específicas que a diferem das outras atividades humanas em geral. A partir da natureza da arte política, desenvolveu-se de forma sistemática o pensamento segundo o qual quem a pratica pode empreender ações moralmente reprováveis mas requeridas pela natureza e pelo fim da própria atividade.

Para Hegel, vale o princípio da razão de Estado, ou seja, o princípio segundo o qual a moral política tem prioridade sobre a moral propriamente dita. A separação entre moral e política nasceria do fato de que a conduta política é guiada pela máxima de que o fim do política — o chamado bem público — é tão superior ao bem dos indivíduos que acaba por justificar a violação das regras morais fundamentais.

Mas a democracia é a forma de governo cujas regras principais, quando observadas, têm como objetivo principal permitir a efetiva solução dos conflitos sociais sem recorrer à violência recíproca. Na medida em que se pressupõe que vivemos hoje numa sociedade em que vários grupos de poder concorrem pacificamente pela tomada de decisões coletivas, a democracia é — ou deveria ser — um regime no qual a maior parte das decisões é tomada por intermédio de acordos entre os vários grupos.

Na próxima campanha presidencial — concentrada na propaganda eleitoral no rádio e na televisão — há espaço para violência?

* Tarcisio Padilha Junior é engenheiro. 

Tags: aberta, coluna, Padilha, Sociedade, tarcisio

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