Jornal do Brasil

Quarta-feira, 26 de Novembro de 2014

País - Sociedade Aberta

Quando, como e quanto elogiar seu filho

Elaine Ribeiro*

O segredo da maioria das situações, das relações, é a forma como elas são administradas. A falta ou o excesso de elogios pode ser prejudicial em muitos casos. Uma questão que certamente gera dúvida é a de elogiar a inteligência ou o esforço de uma criança. Quando elogiamos a inteligência de um filho, não damos margem, por exemplo, a um erro ou a uma nota baixa. Já quando elogiamos seu esforço, damos estímulo para que ele possa se esforçar outras vezes.

Elogios excessivos acabam sendo vazios e não ajudam no desenvolvimento saudável dos filhos, pois acabamos colaborando para um estilo quase infalível e muito vaidoso de uma criança. O elogio excessivo pode, até mesmo, colaborar para que uma criança não aceite uma correção quando necessário. Ou seja, quando estiver errada, certamente terá dificuldade de ser orientada em suas atitudes.

Quando uma criança é elogiada demais, sente-se muito melhor que os outros e pode, em muitos casos, crescer em sua presunção e arrogância. Preferencialmente, elogios devem estar firmados em fatos, em comportamentos ou atitudes. O elogio do tipo “como você é lindo, meu filho!” ou “que maravilha de menina!” estão firmados nas impressões de um adulto,  portanto não colaboram especialmente em alguma atitude diferenciada na criança.

Mas, então, que elogios podem ajudar uma criança a ter uma atitude saudável? Por exemplo: “Filho, que bom que você ajudou seu colega de escola!”, “Parabéns pelo seu esforço no estudo e pelas notas que tirou!”, “É muito legal você ter dividido seus brinquedos com seu amigo. Dividir é muito importante!”, “Que bom você ter me ajudado, gosto muito quando você faz isso!”. Estes elogios são baseados em coisas reais, em coisas que seu filho realmente fez e não em impressões vazias que não contribuem para que ele possa repetir tais comportamentos positivos.

Fazer uma criança se sentir amada não é dizer a ela, o tempo todo, “eu te amo”, “como você é lindo” ou coisas do tipo. A medida é importante,  porém o excesso não faz bem. Quando uma criança passa a frequentar outros ambientes como escola, igreja ou natação, nem sempre será elogiada na mesma quantidade que os pais fazem, e isso pode gerar nela grande decepção e frustração, inclusive na fase adulta, quando tiver de lidar com a falta de elogios e recompensas no trabalho, o que pode ser altamente desmotivador e decepcionante para ela.

Procure dar atenção, não apenas às qualidades mas às atitudes da criança, pois são perceptíveis e envolvem a ação e o empenho dela em algo. Também é importante o cuidado de não desejar que ela seja o que não fomos. Muitas vezes, o elogio é dado no sentido de que seu filho sempre supere, sempre seja o melhor, sempre seja mais. Daí, novamente, a importância da medida e da intensidade para que o positivo não seja um fator desmotivador para ele.

* Elaine Ribeiro, psicóloga clínica e organizacional, é colaboradora da Fundação João Paulo II / Canção Nova. - @elaineribeirosp - http://temasempsicologia.wordpress.com

Tags: aberta, coluna, elaine, ribeiro, Sociedade

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