Jornal do Brasil

Terça-feira, 23 de Setembro de 2014

País - Sociedade Aberta

Cuidando do planeta que existe em cada um 

Tercio Rocha*

Cuidar do planeta é um tema recorrente hoje em dia. Temos que ter cuidados com o meio ambiente para podermos viver bem e por mais tempo.

No entanto, seria interessante que todos, antes de questionarem a relação que temos com o planeta, analisassem a relação que estamos tendo com o nosso corpo. Hoje, as doenças modernas (inflamatórias) são doenças provocadas pelo excesso de consumo de substâncias que não são vitais para a nossa alimentação, como as farinhas, o açúcar, frituras e os industrializados em geral. Se maltratarmos o planeta com os excessos (lixo, produtos químicos e gazes), fazermos o mesmo com o nosso corpo quando assumimos uma postura consumista em relação à vida e aos nossos valores.

Se formos fazer um paralelo, percebemos que os lixões são como nossos bolsões de gorduras, os rios poluídos são como nossas artérias entupidas, nossos colapsos urbanos são como nossos infartos, nossa ignorância é como uma virose.

Consumimos aquilo que não precisamos e descartamos na mesma proporção. Temos 100 camisas no guarda-roupa e só 30 dias e um corpo para usa-las. Quanto à alimentação, comemos mais do que a nossa fome. Já que está tudo incluso no rodízio ao invés de um prato, comemos cinco e somamos isso a sobremesas e bebidas recheadas de adoçantes e corantes. Compramos porque está barato, porque achamos diferente, quando o certo é ter o que fosse absolutamente indispensável.

A saúde do corpo está proporcionalmente ligada também às relações de afeto, de amizade. Hoje, aceleradas por uma rotina de trabalho, onde o que vale é o que se tem e o que se consegue acumular ao longo dos anos de bens materiais, as pessoas se isolam cada vez mais em seus e-mails, Ipads, em seus bandos cibernéticos, indo contra a natureza do homem, que é um ser tribal, grupal, feito para o toque, dotado de diversos sentidos físicos e emocionais que precisam ser trabalhados. Priorizar relações frias (pela tela do computador) anda em paralelo com priorizar a praticidade (dos fast foods) ao invés do calor e frescor das comidas caseiras, das conversas em volta da mesa, da reunião da família na sala de jantar.

Essa relação tão descartável com a vida, tão descartável como os inúmeros sacos plásticos que jogamos ao mar, causa uma ansiedade e dela herdamos também a compulsão ansiogênica, a fome sem vontade de comer. Assim como a ansiedade por uma reunião com hora marcada provoca excesso de velocidades, correria, excessos de acidentes de trânsito graves, AVCs, infartos, taquicardia, tonturas, mal estar, vômitos e depressão.

Por isso, conscientizar-se que o mundo a sua volta é você quem cria e que o universo tem a dimensão de cada um, é o primeiro passo dessa maratona para tornar o homem eco-contextualizado e eco-culto suficiente para não agredir sua saúde, nem o planeta que habita. Reduzir o desperdício de alimentos, roupas, combustível, luz elétrica, reciclar papéis, tecidos, lixo em geral, reutilizar carros, sacolas, roupas, garrafas, etc., tudo isso torna a vida mais simples, mais leve, mais magra, mais saudável e mais limpa.

*Tercio Rocha, endocrinologista, é membro da Academia Brasileira Antienvelhecimento e da Academia Internacional de Antiangig, além de pós-graduado em medicina estética..

Tags: aberta, coluna, rocha, Sociedade, tercio

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