Jornal do Brasil

Sexta-feira, 24 de Outubro de 2014

País - Sociedade Aberta

Mudar de emprego: ganhos e perdas

Karin Parodi*

Inúmeras pesquisas, de diferentes fontes,já confirmaram que pessoas felizes produzem mais. Está aí, então, um bom indicativo da permanência de alguém em uma empresa. Você está feliz onde está?  Se não, consegue identificar o que não está agradando?

Esse questionamento precisa ser honesto e levar em conta muitas questões. Como tudo na vida, cada um precisa fazer a sua parte. Numa relação profissional também é assim. A empresa precisa fazer  o lado dela, ofertar os desafios e boas condições de trabalho e de remuneração; o profissional também tem um lado a cumprir, em talento e competências; em outras palavras, ele precisa entregar.

A chegada da geração Y ao mercado de trabalho acirrou ainda mais as discussões sobre a rotatividade nas empresas e essa inquietude das pessoas, o chamado "pular de galho em galho". Com frequência, alguém me pergunta se é comprometedor mudar muito de emprego. Fazer muitas mudanças de curto prazo pode, sim, ter um peso  negativo no currículo, pois gera dúvidas quanto à capacidade de adaptação e à clareza dos objetivos do profissional. Também abre espaço para questionamentos sobre a capacidade de trabalhar em equipe, do seu comprometimento com a empresa e se pode  finalizar projetos, por exemplo.

Ter uma natureza ávida por desafios, gostar de mudanças e não ter medo de ousar são características positivas com certeza. Mas é preciso ter consistência. Em cada mudança ocorrida  é necessário se dar o devido tempo para  vivenciar a experiência  se aceitou experimentar. É assim que um profissional vai formando um porftólio de ferramentas que, junto com sua formação acadêmica, competências técnicas, fluência em idiomas e networking aquecido, vai construindo e gerenciando uma carreira sólida.

O que costumo recomendar é que as pessoas elaborem um plano de carreira para cinco anos. Melhor ainda, ampliem o olhar e o exercício e desenhem um plano de vida. Não importa a idade. Será uma atividade saudável e muito útil. Até porque os ajustes farão parte da trajetória. No decorrer do tempo, se for necessário  considerar uma mudança de emprego, faça-o. Algumas situações, como uma insatisfação profunda no trabalho, relações complicadas com o chefe direto ou uma total falta de perspectiva de crescimento profissional, justificam mesmo uma troca de empresa.

O fato é que, se a vida estiver organizada e o profissional tiver um plano de carreira e de vida, mesmo que tenha que fazer um movimento desse tipo ou considerar com carinho uma proposta que apareça inesperadamente, ele terá muito mais condições de fazer a mudança com segurança e tranquilidade, sem que isso traga impactos negativos em sua vida profissional e pessoal.

* Karin Parodi é CEO da Career Center.

Tags: aberta, coluna, karin, parodi, Sociedade

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