Jornal do Brasil

Sexta-feira, 31 de Outubro de 2014

País - Sociedade Aberta

A evolução dos mercados

Francisco A. M. Sant'Anna*

Em função da premente necessidade do mercado em receber informações financeiras sempre mais especificas e qualitativas para tomada de decisões, cada vez mais, como se pode constatar  na última década, as empresas fazem uso maciço de tecnologia para suportar a elaboração de seus planos estratégicos e consequentemente para gerir seus processos em todas as suas fases mais importantes, quais sejam no âmbito de compras, produção, custeio, vendas, pessoal, financeiro, contábil e de divulgação, entre outros.    

Um exemplo disso é a crescente utilização dos sistemas integrados de gestão empresarial, que eficaz e apropriadamente amarram dados já inseridos em vários módulos, objetivando a geração de informações detalhadas sobre qualquer área ou situação da companhia.

Ao lado de toda esta evolução tecnológica, infelizmente avoluma-se também a complexidade das fraudes e o consequente uso da contabilidade para fins ilegítimos.

Frente a este cenário desafiador e em constante mutação encontra-se o auditor independente que, além da manutenção permanente e atualizada de seus conhecimentos técnicos face aos pronunciamentos contábeis cada vez mais profundos e específicos, também precisa se desenvolver profissionalmente promovendo o mesmo ao seu pessoal e trabalhar com ferramentas adequadas para acompanhar esta evolução.

Abordemos então, entre vários aspectos importantes de um serviço de auditoria de qualidade, três relevantes, em que o auditor independente deve promover uma abordagem moderna, objetivando o acompanhamento deste processo evolutivo em seus clientes:

Fase de Planejamento dos Serviços:  Nesta fase, que por direcionar toda abordagem do serviço em todos os seus estágios é bastante sensível, é imprescindível lançar mão cada vez mais do conhecimento profundo prévio dos negócios de seus clientes e consequentemente de seus principais e mais impactantes riscos para a arquitetura do planejamento de cada fase da auditoria.  Não se permite hoje ao auditor iniciar um planejamento de auditoria sem entender profundamente todos estes aspectos.

Fase de Desenvolvimento dos Serviços: Já no desenvolvimento dos serviços de auditoria o auditor independente deve sempre estar focado na avaliação da qualidade dos controles dos seus clientes, para isto se suportando do conhecimento e das premissas e definições desenvolvidas na fase de planejamento.  A base para confiança ou não em determinados controles e os respectivos testes de auditoria derivados serão parte fundamental para a conclusão dos serviços.  Outro fator importante nesta fase são as ferramentas de auditoria, que devem ser construídas com alta tecnologia de tal forma a suportar com bastante segurança a finalização dos testes.  Como exemplo cito o uso presente do processo de analytics para coletar as mais diversas informações, compará-las, extrair dados, efetuar subseleções para análises categóricas e consequentemente auxiliar na conclusão quanto à adequação razoável dos valores apresentados em diversas contas selecionadas para testes.

Capacitação Técnica do Auditor e de seu Pessoal: Tão importante quanto os outros aspectos já citados, é a capacitação do auditor e de seus profissionais para a execução dos serviços num mercado em franca evolução, pois, por mais que se busque eficiência com profissionalismo nas fases de planejamento e desenvolvimento dos serviços, sem a bagagem técnica necessária os resultados serão consideravelmente afetados. Para isso, o Ibracon (Instituto dos Auditores Independentes do Brasil) tem contribuído com o mercado, com suas discussões e análises dos respectivos pronunciamentos contábeis, com a construção e emissão de Comunicados Técnicos, bem como pelo relacionamento com órgãos reguladores e oferta de treinamentos para educação profissional continuada. O auditor independente, além de ter que estar sempre atualizado tecnicamente, deve se preocupar em continuamente treinar seu pessoal para em conjunto desenvolver serviço e alta qualidade.

* Francisco A. M. Sant’Anna é diretor nacional de Comunicação do Ibracon (Instituto dos Auditores Independeste do Brasil).

Tags: aberta, coluna, Francisco, sant'anna, Sociedade

Compartilhe:

Postar um comentário

Faça login ou assine para comentar.