Jornal do Brasil

Domingo, 21 de Dezembro de 2014

País - Sociedade Aberta

Cristo Redentor para todos

Carlos Moioli*

O Encontro pela unidade, harmonia e fraternidade entre tradições religiosas e culturais”, realizado na noite do dia 22 de julho, com a presença de indígenas da etnia huni kuin, provenientes do estado do Acre e do Peru, atualizou e confirmou a vocação do Santuário do Cristo Redentor, no Corcovado, como um território sagrado, aberto a todos os que respeitam a liberdade religiosa.

Para o vigário episcopal para a Comunicação Social e Cultura, responsável pelo Santuário do Cristo Redentor, cônego Marcos William Bernardo, o evento sublinhou a atitude da Igreja em respeitar as diferentes manifestações religiosas.

“O próprio Cristo nos ensinou que devemos acolher as pessoas de todas as etnias e culturas. Que o seu Reino seja construído a partir de agora pelas pessoas de boa vontade, e que terá a plenitude quando todos estiverem na casa de Deus. Nesse sentido, o Santuário do Cristo Redentor por sua própria vocação é aberto a todas as pessoas, porque ele também é capaz de dialogar como todas as religiões”, explicou.

Com o objetivo de manter a unidade entre os povos e religiões em benefício do bem comum e da paz, de acordo com as orientações do Concílio Vaticano II, o marco do encontro inter-religioso e intercultural foi caracterizado por um grande abraço ao monumento que, de braços abertos, acolhe a todos no seu santuário.

Foi bonito verificar, através dos pajés e dos caciques, a estima que os indígenas têm pelo Cristo Redentor. Um sinal do resgate da nossa cultura e os efeitos positivos no processo de evangelização que superou todo o tipo de agressão, mantendo a semente do Evangelho no coração. Os indígenas conseguem amar a Cristo como filho de Deus, reverenciá-lo e, ao mesmo tempo, são capazes de externar esse amor através da sua própria cultura”, destacou o cônego Marcos.

O vigário episcopal explicou que o encontro, por ser caracterizado por uma grande lição de paz, fraternidade e entendimento, deve ser visto pela sociedade brasileira, em seus diferentes segmentos, como um caminho de respeito à religiosidade, isso para não afetar a identidade do cidadão brasileiro.

Para quem conhece e respeita a diversidade, ela não é um problema, mas um enriquecimento da nossa visão sobre Deus. Ele se dá na diversidade que conduz para a unidade. O que pedimos no encontro de oração foi paz e harmonia, justamente o que todos nós precisamos. E tudo isso só conseguimos se respeitamos as pessoas, com suas religiões e suas tradições culturais”, pontuou.

Momento histórico

Para o reitor do Santuário do Cristo Redentor, padre Omar Raposo, o encontro de oração foi um momento singular na história do monumento e de grande importância para a vida do santuário, como espaço sagrado.

O encontro estabeleceu a conexão entre a fé cristã e a cultura indígena. Foi possível criar, em torno às súplicas e a nossa devoção, uma bela integração”, destacou.

O reitor acrescentou que, para evidenciar as orações e a contemplação, o monumento recebeu uma iluminação especial, cheia de simbolismos.

Com a cor verde nos pés e nas mãos, recordamos a floresta. O corpo do Cristo ficou com a cor da terra bem suave, lembrando o chão e os pés dos índios. Ao mesmo tempo usamos o vermelho na cabeça do Cristo, recordando toda a experiência mística que os índios têm no seu contato com a natureza, criação de Deus”, explicou.

 

* Carlos Moioli é diretor de jornalismo da arquidiocese do Rio de Janeiro. - moioli@arquidiocese.org.br -Colaboração: Nice Affonso e Natassha Cotts

Tags: aberta, Carlos, coluna, moioli, Sociedade

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