Jornal do Brasil

Quarta-feira, 1 de Outubro de 2014

País - Sociedade Aberta

Adeus, Ariano Suassuna

Aloisio Vilela de Vasconcelos*

E Deus chamou Ariano Suassuna! Chamou para junto de si um gigante! Desta vez, um dos maiores gigantes — se não o maior — que o Brasil possuía! Com a partida, sem retorno, de Ariano Suassuna, nosso país, que já é rico em anões, ficará beirando a liderança mundial nesse tipinho de gente.Que triste sina!

Adeus, Ariano Suassuna! Adeus para sempre, eterno mestre! O que me conforta é ter absoluta certeza de que o Todo-Poderoso, com sua corte celestial, o receberá de braços abertos, pois fará questão de ouvir os seus "contos", “estórias” e histórias, tudo acompanhado de sua inigualável sabedoria e simpatia cabocla e sertaneja, e ao som da sanfona de oitos "bastos".

Que chore o Brasil. Chore a perda da decência, da honestidade, do caráter, da cultura, da simpatia e da aprendizagem na universidade do povo!

Que chore o Brasil. Chore a simplicidade, o pacifismo, o humanismo e o conhecimento sem anéis de doutor no dedo que fazem aqueles que os possuem andarem com o braço numa tipoia para mostrarem o seu peso e sua falta de conhecimento!

Que chore o Brasil a última viagem daquele que representava prova viva da capacidade do brasileiro e da validade da escola do sertanejo!

Que chore o Brasil. Chorem os violeiros, os cantadores de emboladas, os vaqueiros, os toadeiros, os mestres de guerreiro, de reisado, as Dianas do pastoril, os cantadores de quilombo, os tocadores de zabumba, pois nos deixou para sempre o “rei dom Sebastião”, isto é, quem, sem anel de doutor no dedo, conhecia e valorizava todas as manifestações folclóricas da cultura brasileira!

Que chore o brasil. Chore, e que os brasileiros não corram atrás de lenço para enxugar as lágrimas que, como gigantescas catadupas, jorram de seus olhos e incineram sua face, pois faleceu o último anjo que era a prova viva de que o processo de aprendizagem e de valorização do magistério no Brasil ocorre da maneira mais luciferina que existe.

Que chore o resto do Brasil, porque eu, não tenho mais lágrimas para derramar!

 

* Aloisio Vilela de Vasconcelos é professor universitário. - aloisiovilela@terra.com.br

 

Tags: aberta, aloisio, coluna, Sociedade, vilela

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